sábado, novembro 15, 2008

DEUS – DELÍRIO OU VERDADE INQUESTIONÁVEL?

Há muitos deuses. Allá, dos islâmicos. D-us dos judeus. Os deuses hindus. Nesse artigo iremos tratar do deus cristão, como é revelado pela Bíblia. Para conhecermos Javé (o deus que apareceu a Abraão e Moisés) devemos voltar ao inicio da aventura humana na terra.

Segundo estudiosos, nosso ancestral já acreditava em espíritos invisíveis que os observavam. O primeiro sacerdote surge quando alerta os membros do bando que ele conversava com esses espíritos, e assim, conquistou respeito e regalias. Para aplacar a fúria das entidades invisíveis (deuses) os primitivos construíram totens, dançavam, cantavam e ofereciam crianças em sacrifício.

Pronto. A idéia central que irá nortear as religiões estava formada: existem deuses que necessitam de presentes e adorações, para não nos castigar. A religião judaica influenciou o cristianismo. O antigo testamento (a Bíblia hebraica – dos judeus) assegura que Javé (Jeová) entregou as tábuas da lei a Moisés. E mais umas dezenas de outras leis de comportamento. Veja algumas leis ou recomendações que dizem, Javé entregou a seu profeta:

Levitico 24,10: Javé manda apedrejar até a morte quem fala mal dele.
Números 25,1: Javé manda, dependendo a versão bíblica, enforcar, ou empalar (enfiar uma estaca no ânus) quem adora outros deuses. Javé era um Deus ciumento, e isso ele repetia com freqüência.
Deuteronômio 7,3: Deus proíbe casamento de seu povo com estrangeiros. Na verdade, o medo dos sacerdotes era que, com a separação, a mulher herdasse os bens do marido.
Deuteronômio 13,6: Javé manda o hebreu matar até seu pai, esposo, esposa, filho, qualquer parente, se um deles vier a ele e lhe chamar para adorar outros deuses.
Deuteronômio 21,10: Deus autoriza que os soldados de Moisés abusem sexualmente das mulheres das nações conquistadas.
Deuteronômio 21,18: Javé manda que o pai mate o próprio filho, se este chegar bêbado em casa ou for rebelde.
Deuteronômio 22,13: O noivo tem o direito de matar a mulher, caso ela não apresente sinais de virgindade no dia do casamento. Note que o deus de Moisés não exigia que o homem se mantivesse virgem.
Deuteronômio 28, 15: Javé recita uma longa lista de punições ao povo se não obedecer suas leis. Javé promete lançar a peste, doenças, arrasar as terras de seu povo. Cobri-lo de úlceras. Enfim, são castigos que nos deixam atônitos, por serem proferidos por Deus. (Ou seria Moisés usando o nome de Deus para amedrontar seu povo?).

Sei que isso pode chocar o devoto que confia no deus bíblico, mas que, por algum motivo, nunca a leu de fato. Qualquer pessoa de bom senso, com pouco de inteligência, e que não tenha sofrido lavagem cerebral, notará que um deus bom e sábio não seria capaz de autorizar leis tão crueis. Quem é o verdadeiro autor de leis tão terríveis? Para saber sobre isso, precisamos voltar no tempo, e conhecer o famoso rei Hamurábi.

Através de tabletas de barro, hoje guardadas em museus, ficamos sabendo que os sumérios acreditavam em deuses com formas humanas e imortais. Também na Suméria, os deuses começaram a se preocupar com o comportamento do povo. O “Pai dos códigos”, criado há cerca de 3 mil anos a.C., foi escrito por um rei, mas com o auxilio de Shamash, um deus muito importante. Da Babilônia, no séc. 18 a.C., vem o “Código de Hamurábi”, e esse rei (Hamurábi) informou seus súditos que as leis foram transmitidas pelos deuses. A lei do talião, “olho por olho, dente por dente”, fazia parte desse código.

Claro que nenhum deus soprou uma legislação pronta nos ouvidos desses monarcas. Os reis sabiam que o povo, inculto e supersticioso, obedeceria melhor as leis, se elas fossem proclamadas por um deus. Essa idéia pegou tão bem, que os reis começaram a se proclamar os intérpretes dos deuses. De fato, na antiguidade, reis eram considerados filhos dos deuses, ou em certos casos, o próprio deus vivo na terra.

No Egito, a farra dos deuses era tremenda, que existiam milhares deles. Os sacerdotes começaram a enriquecer à custas da fraqueza do povo, que lhes trazia presentes e alimentos, achando que eram para os deuses. Os padres inventaram uma ótima forma de manter o povo dócil e obediente: para ser recebido no céu, pelo deus Osíris, o devoto devia agir conforme a palavra da classe sacerdotal. Do contrário, ao morrer, seria posto num lugar terrível, e devorado por um deus monstruoso. Hoje, paga-se dizimo para ter acesso às delícias do céu.

Ainda no Egito, séc. 14 a.C., aparece o faraó Akenaton, que acaba com a proliferação de deuses em sua terra e adota Aton, como único deus de seu povo. Akenaton era pacifico, odiava superstições, amava as artes e a natureza, recusava assuntos bélicos. Detestava o enriquecimento dos padres idólatras. Ele amava os animais. Aton era assim também. Já nos disseram os sábios, que a personalidade de um deus, sempre se parece com o profeta que o descobre.

Mas Akenaton ficou pouco tempo no poder. Traído, foi morto e os antigos deuses voltaram a dominar as terras das pirâmides. Então, um século depois, surge o grande profeta Moisés, que fundaria nova religião monoteísta – o judaísmo, com um Deus apenas.

Para criar a nova religião, Moisés se baseou sobretudo em dois nomes: Hamurabi, para formular suas leis. E Akenaton, de quem pegou a idéia de um deus único. Mas os padres não nos ensinam isso nas catequeses. E como surgiu o cristianismo?

Século 1 da era atual. Os discípulos de Jesus, após sua morte, continuam a divulgar seus ensinamentos. O Império romano, abastecido de tantos deuses, mandava matar todo seguidor daquela seita, que adorava um homem, que, segundo seus seguidores, era humano e deus ao mesmo tempo.

O cristianismo passa a ser tolerado pelos romanos, quando o imperador Constantino se converte à nova religião. Mas ele não estava interessado no discurso do galileu, onde eram destaque o amor, a caridade e o perdão. Seu interesse era político. Em seu reinado, muitos dogmas – verdades que não podem ser questionadas – foram criados.

Não era mais importante a fala de Jesus, e sim, a obediência cega aos ditames dos chefes da Igreja. "Credo quia absurdum" (Acredito mesmo que seja absurdo), frase do apologista cristão Tertuliano ( 155-220 dC. ) virou referência aos defensores dos dogmas cristãos. E o que era “absurdo”? Acreditar que Deus, sendo sábio e amoroso, pudesse trancar alguém por toda a eternidade numa prisão de sofrimento. Acreditar que para ser merecedor do céu, devia-se aceitar um livro que continha leis do tipo: matem os infiéis, matem noivas não virgens, matem o filho desobediente, matem quem diz que a terra é redonda...

Os padres diziam que fora da Igreja católica, não havia salvação. Ideia extraída das antigas tradições. Sempre foi assim, e ainda é hoje.

O catolicismo foi durante longos séculos, a religião sem concorrência. Inspirado na Bíblia, o Vaticano realizou as Cruzadas. Mandou matar todos os que não se convertessem à “religião verdadeira”. Inspirado na Bíblia, criou a Santa Inquisição. Mais perseguição e mortes. Era obrigado a aceitar a palavra da classe sacerdotal. Duvidou de Adão e Eva: tortura e forca. A terra não é o centro do mundo? Tortura e fogueira. Não paga indulgência ao papa? Inferno na certa.

Hoje, o Vaticano está mais contido. Não se joga mais bruxas à fogueira. Nem cientistas correm o risco de tortura. Só a psicológica. Mas o papa ainda diz que a única religião correta é a dele. E embaralha a mente dos devotos com proibições de toda a natureza. Com isso, arregimenta milhões de clientes para salas de psicanalistas. E o líder de sotaina assevera: obedeçam a Igreja católica ou inferno. O judaísmo discorda. Islâmicos também. Para eles, castigo é para os que não aceitam as suas religiões.Na verdade, nessas três religiões, há também fundamentos de amor ao próximo e caridade. Talvez você possa objetar e dizer que o próximo é quem faz parte da congregação; os de outras religiões e os infiéis não merecem nem um pingo de atenção, ao contrário, devem ser rapidamente convertidos ou eliminados.

No entanto, essas três religiões já forneceram grandes nomes, que de fato estavam preocupados com o sofrimento da humanidade e o terror causado por idéias dogmáticas. Nessas religiões, hoje encontramos pessoas que constroem hospitais, se engajam em trabalhos comunitários, religiosos que não estão nem aí para dogmas, mas que seguem apenas o essencial: amor ao próximo.

Mas, por que então, uma parte se digladia, guerreia e se mata, em nome de Deus?

Um. Por que a ideia que norteia o pensamento religioso da maioria é igual ao do homem pré-histórico: Deus é um juiz, que trata bem só os que o bajulam, e o adoram. Como se Deus fosse um ser deprimido, e inseguro, tal qual um chefe tirano que exige dos funcionários afagos e presentes, para não cair em desgosto. Do contrário, os ameaça com a demissão e os manda para o inferno.

O mundo quer paz, quer viver bem. Deus é uma necessidade para a maioria. Conforta e traz esperança. Às vezes, torna as pessoas melhores. Já disseram que muitos seriam extremamente perigosos e maus, sem a visão da recompensa de um céu e sem o medo do inferno. Mas é verdade que outro tanto, procura ser ético e fazer o bem, mesmo sem acreditar numa divindade. Ou desconfiar que ela exista. Portanto, para ser bom, não precisamos de uma assinatura divina. O bom senso e a razão nos ensina o que é melhor para nós e os outros.

Mas Deus escrevendo leis que autorizam matança, e ódio aos diferentes, criando uma prisão para trancar os que não lhe dão atenção, dando leis de moral e sexualidade, que só fazem sofrer os seres humanos...seria isso Deus mesmo?

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA - Adão e Eva e o Dilúvio.

Adão e Eva:

O Gênese, primeiro livro da Bíblia, inicia com a criação do mundo em seis dias. No sétimo, Deus descansou. Para judeus e cristãos, é um livro histórico, que abrange os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó, até a morte de José, o israelita que chegou a governar o Egito. O surgimento do primeiro casal tem duas versões:

Na primeira, Adão e Eva aparecem juntos no sexto dia. Na segunda versão, o homem aparece antes que sua parceira, plasmado da terra, no primeiro dia da criação. Essa narrativa traz o caráter do Deus Javé, que se estenderá ao longo do “Velho Testamento”: o homem tem acesso a todas as frutas, menos as da “Árvore do Conhecimento”. Se desobedecer, será punido. Em outras palavras: “creia sem questionar”, do contrário, castigo.

Aliás, o castigo ou a ameaça foi desde as religiões mais antigas a principal arma para manter o povo quieto e impedi-lo de raciocinar.Quando Eva ganha vida a partir de uma costela de Adão, e ambos comem do fruto proibido, são expulsos do paraíso, pois quiseram ser iguais ao próprio Criador. A cobra (satã) havia dito à mulher que se ela e o marido comessem daquele fruto ganhariam o conhecimento.

Mas é a mulher que levará a culpa do pecado, pois foi ela quem seduziu o homem, diz essa segunda versão. Como castigo, Deus fala à mulher que tornará sua gravidez difícil, e seu parto será dolorido (As mulheres deveriam agradecer ao Senhor por tanta gentileza). E que será dominada pelo marido. Quanto ao homem, terá que ganhar o pão com o suor de seu rosto.

Sejamos sinceros, foi uma grande armadilha do próprio Criador. Sendo onipotente, ele sabia que aquele casal seria enganado pela cobra. Isso não faz dele um ser bondoso e sábio.

Essa é mais uma história bíblica inventada pelo homem.

O dilúvio:

No sexto capítulo de Gênese, conta-se que Deus ficou zangado com a depravação humana e arrependido de ter criado o homem decide eliminá-lo da face da Terra. Esperem, Deus se arrepende? Se é onipotente, já não sabia que os humanos iam cair na farra? Por que os criou?

O Todo Poderoso escolhe uma inundação que acabará com todas as formas de vida sobre a terra. Mas poupa Noé – o único justo da terra – seus familiares e os animais que entraram na arca.

Após ser salvo, Noé oferece holocausto a Javé, que aspira o suave odor dos animais sacrificados. Que deus estranho, gostar de sacrifícios de animais, conforme já o faziam os deuses pagãos dos antigos...

O Senhor promete nunca mais castigar os homens, pois são maus desde a juventude. Por que ele não descobriu isso antes, assim evitava mandar aquela enchente e matar até crianças inocentes.

No entanto, o deus bíblico irá descumprir a promessa, ao enviar as dez pragas sobre o Egito, ou quando destrói Sodoma e Gomorra por causa da devassidão de seus habitantes.

Realmente, Javé não acertou ao fabricar suas criaturas. Somos todos propensos à festa e aos prazeres da carne, coisas que ele odeia. Algum pai que ama de verdade seus filhos, por acaso afogaria um deles até a morte, por gostar de sexo em excesso? Javé (Jeová) sim. Mas um Deus sábio e amoroso mataria seus filhos?

Essa é mais uma história bíblica inventada pelo homem.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – Pragas do Egito.

A Bíblia descreve Moisés apascentando o rebanho de Jetro, pai de sua esposa, quando Javé lhe aparece no meio de uma árvore em chamas, que não se consumia. O Senhor mandou descalçar as sandálias e se apresentou: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão...” Disse que veio para libertar seu povo dos egípcios e conduzi-lo “para uma terra que mana leite e mel”. A Divindade requisita o profeta para falar com o faraó, e obrigá-lo a deixar o seu povo partir, para que os hebreus prestem culto a Deus na montanha do Sinai. Sabemos pelo texto em Êxodo que Deus envia Dez Pragas contra o Egito, pois o faraó, intransigente, não concordou com o pedido de Moisés. Finalmente sucumbe à exigência do profeta, após a última praga, quando seu filho morre juntamente com todos os primogênitos daquelas terras.

Será que Deus não tinha outro método, menos doloroso, por assim dizer, para convencer ao faraó que os hebreus eram seu povo querido, e os queria longe dali? Penso que se Javé tivesse todo esse poder noticiado aos quatro ventos, poderia ter colocado na dura cerviz do mandatário egípcio, a visão de todas as conseqüências por sua desobediência, o que por certo facilitaria a partida pacífica dos protegidos de Javé. E o que nos impressiona, é a persistência do faraó em seguir os cativos com seu exército, em meio ao mar (na verdade, um grande lago) dividido, por espetacular prodígio do Senhor de Israel. Causa espanto saber que o monarca arranjara coragem para, depois de ver tantas atrocidades descerem sobre seu país, ainda acreditar que podia medir esforços contra aquele deus poderoso, capaz de separar as águas. Tal arrogância teve um preço: a morte do faraó e todos os soldados. Isso é o que contam na Bíblia. Essa história de pragas não se encontra em nenhuma outra fonte da época. Um deus sábio e amoroso puniria todos os egípcios por causa de um faraó teimoso?

Essa é mais uma história bíblica inventada pelo homem.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – O bezerro de ouro.

Ao descer do monte Sinai, com as tábuas dos Dez Mandamentos debaixo dos braços, onde permaneceu por 40 dias, Moisés vê uma cena que o deixa extremamente irritado. Êxodo 32,19 narra o instante em que Moisés é tomado por profunda ira ao ver o povo, impaciente com sua demora, dançar em torno do bezerro de ouro, uma versão do boi Ápis, símbolo da idolatria egípcia. Sem titubear, lança as tábuas de pedra longe, quebrando-as ao pé do monte.

É intrigante ao homem racional, tal atitude por parte daquelas pessoas que há bem pouco tempo, haviam sido libertas do domínio do faraó, e presenciado tantos milagres do Deus que falava a Moisés. Era de supor que, conhecendo o poder daquele Ser Superior, tivessem sido mais tolerantes e esperado a volta de seu profeta. Se não por amor, pelo menos pelo temor à ira desse Deus que castigava sem dó nem piedade todos aqueles que o desobedeciam. No entanto, parece que testemunhar todos aqueles fenômenos, - falo aqui das pragas enviadas contra o Egito e da travessia do Mar Vermelho - não os amedrontara nem reforçara a fé naquele Deus, e continuaram cultuando os antigos símbolos sagrados de seus algozes egípcios.

Será que a invasão de rãs e gafanhotos, os rios transformados em sangue e a as águas engolindo os soldados egípcios não os havia impressionado? De acordo com os cientistas, tudo não passou de fenômenos naturais.Muito tempo depois, os mais velhos contaram que Deus havia mandado pragas contra o faraó, forçando-o a deixar o povo hebreu partir em paz. E esta fábula persiste até hoje em muitos lares. Entretanto, caso estes fenômenos tivessem acontecido, é certo que estariam nos registros egípcios e dos historiadores da época. Mas não há sequer uma palavra sobre tais “milagres”.Se as pragas fossem mesmo enviadas por Javé, devíamos nos perguntar:
1 – Será que os hebreus não tinham medo do deus de Moisés, que não demorava em castigar os que o ofendiam?
2- Será que todos eles sofreram de amnésia repentina, e esqueceram dos “prodígios” que Javé havia feito contra os egípcios?
3 – Será que eles esperavam que o bezerro fosse um deus até mais poderoso que Javé?
4 – Será que as pragas contra o Egito e o mar sendo aberto ao meio nem aconteceram, e esse Javé que Moisés tanto falava não era capaz de nenhuma prova convincente para os hebreus o seguirem com mais respeito?

O clima no acampamento estava tenso. Ao comando do profeta, homens retiraram o bezerro do altar, e o destruíram a golpes de marreta e pedradas. O bezerro de ouro é queimado até virar pó e lançado na água de um ribeiro que descia do monte. Numa demonstração de puro sadismo, Moisés fez com que os israelitas bebessem daquela água suja. Satisfeito, Moisés vai até a entrada do acampamento e grita:
- Quem está ao lado do Senhor, junte-se a mim!

As pessoas assustadas, acatam o pedido de seu líder, juntando-se a ele todos os filhos de Levi. Empunhando espadas, conforme autorização de Javé, aniquilam cerca de três mil homens (Êxodo 32,28), responsáveis pela construção do ídolo de ouro, não poupando irmão, amigo e vizinho. No entanto, Aarão – irmão de Moisés e mentor da obra – leva apenas uma pequena bronca e nada mais.

Talvez a história do bezerro de ouro seja verdade e a matança dos que o confeccionaram provavelmente existiu. No entanto, pragas contra o Egito e mar sendo aberto ao meio seria possível?Essa é mais uma história bíblica inventada pelo homem.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – O repouso no sábado.

Javé fala a Moisés: “Dize aos israelitas: observareis os meus sábados, porque este é um sinal perpétuo entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifico. Guardareis o sábado, pois ele vos deve ser sagrado. Aquele que o violar será morto; quem fizer naquele dia uma obra qualquer será cortado do meio do seu povo.” (Êxodo 31,13).

Diante da comunidade reunida o profeta Moisés, inspirado por seu deus, dá a lei do Sábado. Ninguém poderá trabalhar ou acender fogo nesse dia, pois é dia santo de abstinência e adoração. Essa idéia Moisés tirou dos babilônicos. Já existia na antiga Babilônia o “shabattu” (sábado), um dia de repouso. A lei judaica punirá com a morte quem a desobedecer. De fato, saberemos mais tarde, que um homem é apedrejado até a morte porque juntava lenha no sábado. Javé, sábio e compreensivo, se dirige ao seu profeta nesses termos: “Esse homem deve ser punido com a morte; toda a multidão deve apedrejá-lo fora do acampamento.” Que deus é esse que se irrita e manda matar por alguém trabalhar no sábado? E por que hoje a maioria dos cristãos trabalha no sábado, sem medo de que Javé os elimine com um raio fulminante?

Para sorte dos cristãos, no Novo Testamento, Jesus aboliu a lei do sábado e liberou geral. Mas, como pode o Filho desrespeitar uma lei do Pai Celestial? Um teólogo cristão irá dizer que, sendo Jesus deus, ele pode quando bem quiser revogar uma lei que ele mesmo instituiu. Mas não dizem os cristãos que Jesus é misericordioso? Então se ele é deus, era ele quem no passado mandava matar quem trabalhava aos sábados? Isso faz dele um deus sábio e amoroso?

Claro que Jesus foi um homem que promoveu a paz. Mas não é deus. Nunca disse isso. Por causa dessa estranha lei, copiada dos babilônicos – mas que a maioria dos judeus e algumas religiões cristãs pensam vir do seu Deus – muitos não trabalham no sábado, e chegam ao absurdo de não usar elevador, por causa das faíscas produzidas pelo equipamento. De fato, a fé cega e a ignorância (falta de conhecimento) é capaz de muita coisa.

A lei do sábado é uma infâmia contra a humanidade. Torna os seres humanos parecidos com grupos tribais.Essa é mais uma história bíblica inventada pelo homem.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – As leis de Moisés.

Muitos cristãos e judeus seguem as leis bíblicas por acreditarem sinceramente que elas foram oferecidas por Deus ao profeta Moisés. Será verdade? Tenho uma proposta. Vamos investigar de perto as leis que Moisés diz ter recebido de Javé (Jeová)?

Vamos fazer assim, se essa legislação conter leis sábias e úteis, que promovam o bem estar e a felicidade da humanidade, é um bom sinal de que Moisés de fato falou com Deus; do contrário, foi apenas ilusão, coisa de sua cabeça. Ou, como explicam os estudiosos, Moisés simplesmente inventou que falou com Deus, e, inspirado pelas leis mesopotâmicas, sobretudo de Hamurábi, criou sua própria legislação. Porque, como sabemos, na Antiguidade era comum um rei ou profeta afirmar que suas leis eram trazidas por algum deus. O povo obedecia com mais segurança e temor.

Lei sobre o adultério:
Se o marido desconfiar que a mulher o trai, ela será levada ao sacerdote, que a fará beber uma água amarga (os ingredientes eram repugnantes): Números 5,11.
Quem comete adultério, é punido com a morte: Levítico 20,10.

Lei sobre o castigo:
O deus de Moisés era a favor das chicotadas: Deuteronômio 25,1.

Lei sobre os deficientes físicos:Quem fosse capado ou tivesse os testículos esmagados, não podia entrar na Assembléia: Deuteronômio 23,2.

Lei sobre discriminação racial:
Javé era racista: “não contrairás com elas [as mulheres das nações conquistadas] matrimônios; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; pois fariam teus filhos desviarem-se de mim, para servirem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.”
Em Esdras 10,44 os israelitas são obrigados (pelos sacerdotes) a mandarem embora suas esposas estrangeiras, juntamente com os filhos. Deve ter sido uma cena muito triste. Pais abandonando mulher e filhos por causa dessa lei racista.

Lei sobre escravos:
O pai pode vender a própria filha como escrava: Êxodo 21,7.Se o dono de um escravo submetê-lo à tortura e esse escravo não morrer em um ou dois dias, o dono não será punido, por que não o matou. Êxodo 21,21 (Obs: nota-se que o deus bíblico é a favor do castigo a escravos. Veja em Provérbios 29,19.

Lei sobre adivinhos:
Pena de morte a quem consulta os espíritos e faz adivinhações: Levítico 20,27. Graças a essa amável lei de Javé, o deus bíblico, a Igreja católica torturou e matou milhares de mulheres que faziam uso de ervas ou curavam doentes, pois eram acusadas de bruxaria. Saiba mais sobre a Inquisição católica no google.

Lei sobre celebração:
Javé diz: “Três vezes por ano celebrarás uma festa em minha honra... Trarás à casa do Senhor, teu Deus, as primícias dos primeiros produtos de tua terra.” Primícias = primeiros frutos. Os antigos acreditavam que os deuses necessitavam de presentes. O povo hebreu não era diferente.

Lei sobre mutilações:
Uma mulher teria sua mão cortada se, ao defender o marido numa briga, segurasse no pênis do oponente. “sem compaixão alguma”, alerta Javé mimosamente ao seu profeta: Deuteronômio 25,11.

Lei sobre o rapto de mulheres:
Javé, doce e compassivo, orienta o exército de Moisés a saquear e matar todos os conquistados, inclusive crianças, menos as mulheres virgens: Números 31,13. Estas seriam tomadas como esposas dos soldados de Moisés. E eles podiam mandá-las embora quando não as desejassem mais: Deuteronômio 21,10.

Lei da adoração:
Javé manda matar quem adorar outros deuses (isto é, se tiver outra religião): Deuteronômio 17,2.O profeta que falar em nome de outros deuses será morto: Deuteronômio 18,20. Agora podemos entender porque a Igreja católica mandou matar os hereges (quem não seguia o Vaticano) durante a Inquisição.

Lei sobre filhos:
O pai pode matar o filho rebelde: Deuteronômio 21,18.

Lei sobre a virgindade:
O noivo pode matar a noiva, caso ela já tenha tido relações antes de conhecê-lo: Deuteronômio 22,13.

Lei sobre a homossexualidade:
Homem não se deitará com homem: Levítico 18,22. Essa lei, segundo estudiosos, surgiu da necessidade de um exército grandioso. Uniões homossexuais, óbvio, não geram descendentes. Entretanto, religiosos infernizam a vida dos que amam seus iguais, com toda sorte de admoestações.

Lei sobre a vingança:
Javé apoiava a vingança. “olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.”: Êxodo 21,24.

E assim, tivemos centenas de guerras religiosas, milhões de assassinatos, tortura, perseguições e atentados à liberdade, graças ao apoio dessas palavras que estão no código mosaico (lei de Moisés). Porém, o que apresentei trata-se de uma pequena amostra. Há mais coisas abomináveis nessa lei, mas meu intento foi dar apenas um apanhado geral. O leitor poderá julgar por si mesmo. São essas leis oriundas de uma mente sábia, pacífica e amorosa?

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – O ritual dos sacrifícios.

Levítico, 3º livro da Bíblia. Este livro está relacionado aos sacerdotes, sacrifícios e cultos a Javé. Conta como deveriam ser sacrificados os animais no altar. Como sugerem muitos autores, Javé, o deus hebreu, é uma metamorfose de um deus cananeu. Há muitas semelhanças entre Javé e este deus pagão e outros deuses que pululavam nas redondezas. Todos apreciavam sacrifícios repletos de sangue de animais e gente. Javé se aperfeiçoou e mais tarde não exigiu mais vítimas humanas.

O autor de Levítico narra em detalhes como Javé apreciava o “suave aroma” dos animais queimados em sua homenagem. Parece engraçado um deus fungando e sentindo o cheiro dos bichos ardendo na fogueira, mas era assim que o povo pensava. Esse deus também é chegado numa picanha. Lemos no capítulo 1,12: ”Reparta-se a vitima em pedaços; depois o sacerdote disporá as partes, com a cabeça e a gordura das entranhas, sobre a lenha colocada sobre o fogo do altar...como sacrifício de agradável odor a Javé”. Uma ofensa a Javé era reparada com oferta de uma fêmea de cordeiro sem defeito.

Pronunciou em vão o nome de Javé, traz o bichinho, que fica tudo bem. O sacerdote faz a expiação diante do altar e o culpado fica livre de seu pecado no mesmo instante. Outras vezes, era oferecido um carneiro, como sacrifício de reparação. É bom salientar que Javé fazia questão de informar como a carne seria dividida: O peito e a coxa direita eram reservados para Aarão (irmão de Moisés) e seus filhos. Quer dizer, o melhor ficava sempre em família.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – Promessa de prêmio e castigo.

Desde os tempos mais remotos, o líder religioso teve o cuidado em mostrar ao seu povo, que Deus enviava bênçãos a todos os que seguissem suas leis, bem como a desgraça aos que as violassem. De modo que sob ameaça de castigo divino, era mais fácil manter o povo dócil.Hamurábi (rei babilônico que viveu cerca de cinco séculos antes de Moisés) deixou registrado no epílogo de seu código, de que maneira os deuses beneficiariam aqueles que seguissem suas leis e como seriam punidos os que se desviassem delas. A semelhança com o que iremos ver em Moisés, que veio muito tempo depois daquele monarca, é impressionante. Isso só confirma aquilo que os estudiosos já sabem: Moisés encontrou em Hamurábi uma das principais fontes para transmitir suas regras ao povo de Israel. Agora vejam um breve resumo do que Hamurábi deixou escrito ao final de seu tratado de leis. Ele começa mostrando as benesses que outros reis terão se respeitarem suas normas:“

Se tal governante tiver sabedoria e for capaz de manter a ordem nesta terra, ele deverá observar as palavras que tenho escrito nesta inscrição;...Hamurabi, a quem Shamash conferiu as leis, sou eu... Se um futuro monarca prestar atenção às minhas palavras... então que Shamash aumente o reinado deste rei, assim como Ele o fez de mim o rei da retidão..”

E as desgraças que cairão em seus reinos, caso não lhe der ouvido:“Se este governante não tiver alta conta minhas palavras...se ele desprezar as minhas maldições e não temer a cólera de Deus, se ele destruir a lei que me foi dada,... este homem, não importa que seja rei ou governante, sacerdote um leigo...que o grande Deus Anu, o pai dos deuses, que ordenou que eu governasse, retire deste homem a glória da realeza, que Ele quebre o cetro deste rei, e amaldiçoe seu destino (...).

E a seguir, Moisés revela o que o bom Javé dará a seu povo se respeitar seus mandamentos: Deuteronômio 28,1:“
Javé, teu Deus, te tornará superior a todas as nações da terra, e todas estas bênçãos virão sobre ti e te cobrirão se obedeceres à voz de Javé, teu Deus...” O Senhor promete dar vitória sobre todos os exércitos inimigos; toda a terra verá que é seu povo eleito, e o temerão.Porém, caso se desvie de seu caminho: Em Deuteronômio 28 do versículo vinte ao sessenta e oito, temos uma das seqüências mais infames, mais terríveis encontradas na literatura mundial. No entanto, tudo que ali é dito, vem da voz de uma divindade que dizem ser sábia e perfeita: “Javé mandará contra ti a maldição, a perturbação e as ameaças, em tudo quanto empreenderes, até que sejas destruído...por causa da perversidade das tuas ações...” E segue a rogação de pragas:“Javé fixará sobre ti a peste, até que tenhas desaparecido da terra onde vais entrar para a herdares...Javé ter ferirá com a doença, a febre, a inflamação, a queimadura, a secura, o crestamento e a ferrugem...Teu cadáver servirá de pasto para todas as aves do céu e para todos os animais da terra...Javé te ferirá com a ulcera do Egito, a hemorróida, as pústulas e a sarna... Noivarás com uma mulher, porém outrem a possuirá...”

Vejam! Como não bastasse tanta tragédia, ainda por cima ser chifrado. O versículo sessenta e três nos faz saber que Javé se alegra tanto com o bem, quanto com a tragédia, por isso ele terá prazer em acabar com a raça de seu povo.A declaração de catástrofes se encerra com a promessa de que o povo hebreu será levado ao Egito em navios, será escravizado e nunca mais verá a liberdade.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – O amor homossexual de Davi por Jonatã.

No capitulo dezoito do primeiro livro de Samuel, temos um bonito relato do amor de Jônatas, ou Jonatã (filho do rei Saul) por Davi, o franzino rei que derrotará o gigante Golias. Sempre que alguns tentaram ver nesse episódio, sinais de um amor homossexual, logo os defensores da moral se apressaram para desmerecer as insinuações. Não nos cabe dizer qual tipo de amor que os ligava, no entanto, não nos parece impossível que pudesse ter havido realmente, algo maior que amor de simples amigos:“Ora, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas ligou-se com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. E desde aquele dia Saul o reteve, não lhe permitindo voltar para a casa de seu pai. Então Jônatas fez um pacto com Davi, porque o amava como à sua própria vida. E Jônatas se despojou da capa que vestia, e a deu a Davi, como também a sua armadura, e até mesmo a sua espada, o seu arco e o seu cinto.”Somos informados ainda que Davi achava-se angustiado pelo seu irmão Jônatas. A palavra irmão era comumente empregada entre amantes, razão pela qual se torna difícil avaliar em que sentido a Bíblia entende o amor desses dois personagens: “Tu me eras tao querido! – conta Davi ao lembrar do amigo - Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres.”

Parece que Saul suspeitava de um amor homossexual entre seu filho Jônatas e Davi, por isso decide matar o suposto amante do filho. Tomado de violenta cólera, diz na frente do filho e de seus servos, que já sabe de seu envolvimento com o filho de Jessé, e que isso representa uma vergonha para sua mãe e toda a família. Vergonha por quê? Parece mesmo que os dois eram amantes, e disso o velho Saul e toda corte já sabiam.Ao saber que o amigo corria perigo, Jônatas foi ao seu encontro avisá-lo para que partisse. É dito que ao ver Jônatas chegando, Davi curvou-se como era costume, e ambos se abraçaram, em prantos. Há uma versão que aponta que além de abraços, também se beijaram (possivelmente no rosto, como era o costume).

Sabemos por historiadores, que não era tão incomum casos assim, naqueles tempos. Os homens passavam muitas vezes meses e anos na guerra sem ver as famílias. Quando um sacerdote indaga a Davi, se estava se abstendo de mulheres, disse que sim. Ele e todos seus soldados. E era bem comum soldados em batalhas terem seus amantes. Talvez Davi e Jônatas viveram um belo romance, e isso não seria nada estranho, apesar dos protestos dos conservadores. Mas é o leitor quem deve decidir.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – Sim, Javé aceitava sacrifícios humanos.

Líderes religiosos asseveram que deus Javé proibiu holocaustos humanos e usam Levítico 20,2 para comprovar: “todo israelita ou estrangeiro que habita em Israel e que sacrificar um de seus filhos a Moloc, será punido de morte.”

No entanto, segundo especialistas, durante boa parte da história judaica, o povo acreditava que seu deus se comprazia com o sangue de vidas humanas em seus altares. Vejamos o relato do caso da filha de Jefté, um militar que fez um pacto com Javé. Em Juízes 11,29 somos informados que Jefté prometeu ao seu deus sacrificar a vida da primeira pessoa que o recebesse em sua volta de uma batalha. O valente guerreiro voltou vitorioso da peleja, porém, vê com tristeza que quem corria para seu encontro, era sua própria filha. Virgem e única filha. Aos prantos, o pai explicou à filha sua promessa a deus, mas a filha aceitou seu destino. Fez só um pedido a seu pai: “Deixa-me que vá sobre as colinas durante dois meses, para chorar a minha virgindade com as minhas amigas.” O pai concordou: “Vai, disse-lhe ele. E deu-lhe dois meses de liberdade. Ela foi com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade sobre as colinas. Passado o prazo, voltou para seu pai, e ele cumpriu o voto que tinha feito.” E Javé aceitou o sangue da inocente, pois, como sabemos, ele não se opôs a esse ato bárbaro.

Há outro episódio que mostra o desejo de Javé pelo sangue de vítimas humanas.

Gênese 22,1: Javé pede a Abraão que ofereça Isaac, seu único filho em holocausto. Não devemos esquecer que o deus bíblico é uma metamorfose de um deus pagão cananeu, e o primeiro filho era visto como a semente dos deuses, que devia ser imolado, para obter a simpatia das entidades superiores. O diálogo, a caminho do local de sacrifícios, é comovente:
- Pai
- Eis-me aqui, meu filho.
- Aqui estão o fogo e a lenha, mas onde se acha o cordeiro para o holocausto? – pergunta a inocente criança.
- Deus providenciará o cordeiro, meu filho!

Quando chegam ao local que deus designara, o filho é amarrado sobre o altar. No exato instante em que Abraão ia matar o filho com uma faca, aparece um anjo do Senhor, que se dirige desse modo:

- Abraão! Abraão! Não lhe faças mal algum. Agora sei que verdadeiramente temes a Deus.

Ora, é muito estranho que Javé tenha pedido tal prova a Abraão. Isso atesta que Javé não era onisciente, pois precisou de uma artimanha, para saber se o patriarca o temia. Esse conto deixa claro que Javé apreciava sacrifícios humanos, pois sendo deus, deveria saber que Abraão o temia. Javé podia ter falado que era contra sacrifícios, mas ficou calado. E, por que cargas d´água um deus precisou submeter a pobre criança à tortura psicológica tão deplorável. Ponham-se no lugar do menino.

A Bíblia ainda informa que o profeta Samuel ofereceu vidas humanas a Javé: Veja em I Samuel 15,32. E em II Samuel 21, 1 é Davi (o rei ) quem permite o sacrifício de pessoas perante o altar do Senhor.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – Javé e a xenofobia.

Javé era um deus xenófobo – tinha horror a estrangeiros. Suas prescrições alimentaram em seus seguidores o desejo de vingança e ódio aos de fora. Observamos isso hoje nos conflitos entre judeus e palestinos. Se esse Javé tivesse escrito: não fareis guerra nem entre vós nem com seus vizinhos, é bem provável que o ódio religioso entre aqueles povos não existiria.

No entanto, em diversos trechos, sentimos todo o ódio de Javé pelos estrangeiros. Lemos em Números 3,38: “Moisés, Aarão e seus filhos acampavam diante do tabernáculo, ao oriente, diante da tenda de reunião, ao nascente, e tinham o cuidado do santuário para os israelitas. O estrangeiro que se aproximasse devia ser punido de morte.” Em Deuteronômio 7,3 o deus bíblico proíbe casamento com pessoas de outras nações: “não contrairás com elas [ as mulheres das nações conquistadas ] matrimônios; não darás tuas filhas a seus filhos [ dos estrangeiros ], e não tomarás suas filhas [ dos estrangeiros ] para teus filhos; pois fariam teus filhos desviarem-se de mim, para servirem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.” Sempre que os sacerdotes criavam uma lei, alegavam ser da vontade do seu deus. Muitos religiosos tentam justificar dizendo que Deus queria preservar a nação judaica pura, daí a proibição da união com gente de fora.

Todavia, segundo estudiosos, a proibição do casamento de israelitas com estrangeiros tinha outro motivo. O problema da herança. Temiam que, com a separação do casal, parte dos bens do homem fosse parar nas mãos da mulher estrangeira.

Por isso em Esdras 10,44 todos os israelitas que tomaram mulheres estrangeiras, foram obrigados a mandar embora esposas e filhos: “Todos estes homens, que haviam desposado mulheres estrangeiras, despediram-nas com seus filhos.”

Isso, em nome de Deus. Será que um bom Deus seria autor dessa infâmia?Como exemplo de como os sacerdotes tratavam os que iam contra a lei, temos em Neemias 13,23 a selvageria deste servidor de deus: “Vi também naqueles dias judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas, e moabitas; e seus filhos falavam no meio asdodita, e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de seu povo. Contendi com eles, e os amaldiçoei; espanquei alguns deles e, arrancando-lhes os cabelos, os fiz jurar por Deus, e lhes disse: Não darei vossas filhas a seus filhos, e não tomareis suas filhas para vossos filhos, nem para vós mesmos.” É lamentável que, em nome de Deus, o ódio a estrangeiros foi amplamente praticado e recomendado pelos autores bíblicos. Que, justo dizer, nada tinham de inspiração divina. Deus está a anos-luzes distante de livros racistas e xenófobos.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net