DEUS – DELÍRIO OU VERDADE INQUESTIONÁVEL?
Há muitos deuses. Allá, dos islâmicos. D-us dos judeus. Os deuses hindus. Nesse artigo iremos tratar do deus cristão, como é revelado pela Bíblia. Para conhecermos Javé (o deus que apareceu a Abraão e Moisés) devemos voltar ao inicio da aventura humana na terra.
Segundo estudiosos, nosso ancestral já acreditava em espíritos invisíveis que os observavam. O primeiro sacerdote surge quando alerta os membros do bando que ele conversava com esses espíritos, e assim, conquistou respeito e regalias. Para aplacar a fúria das entidades invisíveis (deuses) os primitivos construíram totens, dançavam, cantavam e ofereciam crianças em sacrifício.
Pronto. A idéia central que irá nortear as religiões estava formada: existem deuses que necessitam de presentes e adorações, para não nos castigar. A religião judaica influenciou o cristianismo. O antigo testamento (a Bíblia hebraica – dos judeus) assegura que Javé (Jeová) entregou as tábuas da lei a Moisés. E mais umas dezenas de outras leis de comportamento. Veja algumas leis ou recomendações que dizem, Javé entregou a seu profeta:
Levitico 24,10: Javé manda apedrejar até a morte quem fala mal dele.
Números 25,1: Javé manda, dependendo a versão bíblica, enforcar, ou empalar (enfiar uma estaca no ânus) quem adora outros deuses. Javé era um Deus ciumento, e isso ele repetia com freqüência.
Deuteronômio 7,3: Deus proíbe casamento de seu povo com estrangeiros. Na verdade, o medo dos sacerdotes era que, com a separação, a mulher herdasse os bens do marido.
Deuteronômio 13,6: Javé manda o hebreu matar até seu pai, esposo, esposa, filho, qualquer parente, se um deles vier a ele e lhe chamar para adorar outros deuses.
Deuteronômio 21,10: Deus autoriza que os soldados de Moisés abusem sexualmente das mulheres das nações conquistadas.
Deuteronômio 21,18: Javé manda que o pai mate o próprio filho, se este chegar bêbado em casa ou for rebelde.
Deuteronômio 22,13: O noivo tem o direito de matar a mulher, caso ela não apresente sinais de virgindade no dia do casamento. Note que o deus de Moisés não exigia que o homem se mantivesse virgem.
Deuteronômio 28, 15: Javé recita uma longa lista de punições ao povo se não obedecer suas leis. Javé promete lançar a peste, doenças, arrasar as terras de seu povo. Cobri-lo de úlceras. Enfim, são castigos que nos deixam atônitos, por serem proferidos por Deus. (Ou seria Moisés usando o nome de Deus para amedrontar seu povo?).
Sei que isso pode chocar o devoto que confia no deus bíblico, mas que, por algum motivo, nunca a leu de fato. Qualquer pessoa de bom senso, com pouco de inteligência, e que não tenha sofrido lavagem cerebral, notará que um deus bom e sábio não seria capaz de autorizar leis tão crueis. Quem é o verdadeiro autor de leis tão terríveis? Para saber sobre isso, precisamos voltar no tempo, e conhecer o famoso rei Hamurábi.
Através de tabletas de barro, hoje guardadas em museus, ficamos sabendo que os sumérios acreditavam em deuses com formas humanas e imortais. Também na Suméria, os deuses começaram a se preocupar com o comportamento do povo. O “Pai dos códigos”, criado há cerca de 3 mil anos a.C., foi escrito por um rei, mas com o auxilio de Shamash, um deus muito importante. Da Babilônia, no séc. 18 a.C., vem o “Código de Hamurábi”, e esse rei (Hamurábi) informou seus súditos que as leis foram transmitidas pelos deuses. A lei do talião, “olho por olho, dente por dente”, fazia parte desse código.
Claro que nenhum deus soprou uma legislação pronta nos ouvidos desses monarcas. Os reis sabiam que o povo, inculto e supersticioso, obedeceria melhor as leis, se elas fossem proclamadas por um deus. Essa idéia pegou tão bem, que os reis começaram a se proclamar os intérpretes dos deuses. De fato, na antiguidade, reis eram considerados filhos dos deuses, ou em certos casos, o próprio deus vivo na terra.
No Egito, a farra dos deuses era tremenda, que existiam milhares deles. Os sacerdotes começaram a enriquecer à custas da fraqueza do povo, que lhes trazia presentes e alimentos, achando que eram para os deuses. Os padres inventaram uma ótima forma de manter o povo dócil e obediente: para ser recebido no céu, pelo deus Osíris, o devoto devia agir conforme a palavra da classe sacerdotal. Do contrário, ao morrer, seria posto num lugar terrível, e devorado por um deus monstruoso. Hoje, paga-se dizimo para ter acesso às delícias do céu.
Ainda no Egito, séc. 14 a.C., aparece o faraó Akenaton, que acaba com a proliferação de deuses em sua terra e adota Aton, como único deus de seu povo. Akenaton era pacifico, odiava superstições, amava as artes e a natureza, recusava assuntos bélicos. Detestava o enriquecimento dos padres idólatras. Ele amava os animais. Aton era assim também. Já nos disseram os sábios, que a personalidade de um deus, sempre se parece com o profeta que o descobre.
Mas Akenaton ficou pouco tempo no poder. Traído, foi morto e os antigos deuses voltaram a dominar as terras das pirâmides. Então, um século depois, surge o grande profeta Moisés, que fundaria nova religião monoteísta – o judaísmo, com um Deus apenas.
Para criar a nova religião, Moisés se baseou sobretudo em dois nomes: Hamurabi, para formular suas leis. E Akenaton, de quem pegou a idéia de um deus único. Mas os padres não nos ensinam isso nas catequeses. E como surgiu o cristianismo?
Século 1 da era atual. Os discípulos de Jesus, após sua morte, continuam a divulgar seus ensinamentos. O Império romano, abastecido de tantos deuses, mandava matar todo seguidor daquela seita, que adorava um homem, que, segundo seus seguidores, era humano e deus ao mesmo tempo.
O cristianismo passa a ser tolerado pelos romanos, quando o imperador Constantino se converte à nova religião. Mas ele não estava interessado no discurso do galileu, onde eram destaque o amor, a caridade e o perdão. Seu interesse era político. Em seu reinado, muitos dogmas – verdades que não podem ser questionadas – foram criados.
Não era mais importante a fala de Jesus, e sim, a obediência cega aos ditames dos chefes da Igreja. "Credo quia absurdum" (Acredito mesmo que seja absurdo), frase do apologista cristão Tertuliano ( 155-220 dC. ) virou referência aos defensores dos dogmas cristãos. E o que era “absurdo”? Acreditar que Deus, sendo sábio e amoroso, pudesse trancar alguém por toda a eternidade numa prisão de sofrimento. Acreditar que para ser merecedor do céu, devia-se aceitar um livro que continha leis do tipo: matem os infiéis, matem noivas não virgens, matem o filho desobediente, matem quem diz que a terra é redonda...
Os padres diziam que fora da Igreja católica, não havia salvação. Ideia extraída das antigas tradições. Sempre foi assim, e ainda é hoje.
O catolicismo foi durante longos séculos, a religião sem concorrência. Inspirado na Bíblia, o Vaticano realizou as Cruzadas. Mandou matar todos os que não se convertessem à “religião verdadeira”. Inspirado na Bíblia, criou a Santa Inquisição. Mais perseguição e mortes. Era obrigado a aceitar a palavra da classe sacerdotal. Duvidou de Adão e Eva: tortura e forca. A terra não é o centro do mundo? Tortura e fogueira. Não paga indulgência ao papa? Inferno na certa.
Hoje, o Vaticano está mais contido. Não se joga mais bruxas à fogueira. Nem cientistas correm o risco de tortura. Só a psicológica. Mas o papa ainda diz que a única religião correta é a dele. E embaralha a mente dos devotos com proibições de toda a natureza. Com isso, arregimenta milhões de clientes para salas de psicanalistas. E o líder de sotaina assevera: obedeçam a Igreja católica ou inferno. O judaísmo discorda. Islâmicos também. Para eles, castigo é para os que não aceitam as suas religiões.Na verdade, nessas três religiões, há também fundamentos de amor ao próximo e caridade. Talvez você possa objetar e dizer que o próximo é quem faz parte da congregação; os de outras religiões e os infiéis não merecem nem um pingo de atenção, ao contrário, devem ser rapidamente convertidos ou eliminados.
No entanto, essas três religiões já forneceram grandes nomes, que de fato estavam preocupados com o sofrimento da humanidade e o terror causado por idéias dogmáticas. Nessas religiões, hoje encontramos pessoas que constroem hospitais, se engajam em trabalhos comunitários, religiosos que não estão nem aí para dogmas, mas que seguem apenas o essencial: amor ao próximo.
Mas, por que então, uma parte se digladia, guerreia e se mata, em nome de Deus?
Um. Por que a ideia que norteia o pensamento religioso da maioria é igual ao do homem pré-histórico: Deus é um juiz, que trata bem só os que o bajulam, e o adoram. Como se Deus fosse um ser deprimido, e inseguro, tal qual um chefe tirano que exige dos funcionários afagos e presentes, para não cair em desgosto. Do contrário, os ameaça com a demissão e os manda para o inferno.
O mundo quer paz, quer viver bem. Deus é uma necessidade para a maioria. Conforta e traz esperança. Às vezes, torna as pessoas melhores. Já disseram que muitos seriam extremamente perigosos e maus, sem a visão da recompensa de um céu e sem o medo do inferno. Mas é verdade que outro tanto, procura ser ético e fazer o bem, mesmo sem acreditar numa divindade. Ou desconfiar que ela exista. Portanto, para ser bom, não precisamos de uma assinatura divina. O bom senso e a razão nos ensina o que é melhor para nós e os outros.
Mas Deus escrevendo leis que autorizam matança, e ódio aos diferentes, criando uma prisão para trancar os que não lhe dão atenção, dando leis de moral e sexualidade, que só fazem sofrer os seres humanos...seria isso Deus mesmo?
Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net


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