sábado, novembro 15, 2008

HISTÓRIAS ESTRANHAS DA BÍBLIA – O bezerro de ouro.

Ao descer do monte Sinai, com as tábuas dos Dez Mandamentos debaixo dos braços, onde permaneceu por 40 dias, Moisés vê uma cena que o deixa extremamente irritado. Êxodo 32,19 narra o instante em que Moisés é tomado por profunda ira ao ver o povo, impaciente com sua demora, dançar em torno do bezerro de ouro, uma versão do boi Ápis, símbolo da idolatria egípcia. Sem titubear, lança as tábuas de pedra longe, quebrando-as ao pé do monte.

É intrigante ao homem racional, tal atitude por parte daquelas pessoas que há bem pouco tempo, haviam sido libertas do domínio do faraó, e presenciado tantos milagres do Deus que falava a Moisés. Era de supor que, conhecendo o poder daquele Ser Superior, tivessem sido mais tolerantes e esperado a volta de seu profeta. Se não por amor, pelo menos pelo temor à ira desse Deus que castigava sem dó nem piedade todos aqueles que o desobedeciam. No entanto, parece que testemunhar todos aqueles fenômenos, - falo aqui das pragas enviadas contra o Egito e da travessia do Mar Vermelho - não os amedrontara nem reforçara a fé naquele Deus, e continuaram cultuando os antigos símbolos sagrados de seus algozes egípcios.

Será que a invasão de rãs e gafanhotos, os rios transformados em sangue e a as águas engolindo os soldados egípcios não os havia impressionado? De acordo com os cientistas, tudo não passou de fenômenos naturais.Muito tempo depois, os mais velhos contaram que Deus havia mandado pragas contra o faraó, forçando-o a deixar o povo hebreu partir em paz. E esta fábula persiste até hoje em muitos lares. Entretanto, caso estes fenômenos tivessem acontecido, é certo que estariam nos registros egípcios e dos historiadores da época. Mas não há sequer uma palavra sobre tais “milagres”.Se as pragas fossem mesmo enviadas por Javé, devíamos nos perguntar:
1 – Será que os hebreus não tinham medo do deus de Moisés, que não demorava em castigar os que o ofendiam?
2- Será que todos eles sofreram de amnésia repentina, e esqueceram dos “prodígios” que Javé havia feito contra os egípcios?
3 – Será que eles esperavam que o bezerro fosse um deus até mais poderoso que Javé?
4 – Será que as pragas contra o Egito e o mar sendo aberto ao meio nem aconteceram, e esse Javé que Moisés tanto falava não era capaz de nenhuma prova convincente para os hebreus o seguirem com mais respeito?

O clima no acampamento estava tenso. Ao comando do profeta, homens retiraram o bezerro do altar, e o destruíram a golpes de marreta e pedradas. O bezerro de ouro é queimado até virar pó e lançado na água de um ribeiro que descia do monte. Numa demonstração de puro sadismo, Moisés fez com que os israelitas bebessem daquela água suja. Satisfeito, Moisés vai até a entrada do acampamento e grita:
- Quem está ao lado do Senhor, junte-se a mim!

As pessoas assustadas, acatam o pedido de seu líder, juntando-se a ele todos os filhos de Levi. Empunhando espadas, conforme autorização de Javé, aniquilam cerca de três mil homens (Êxodo 32,28), responsáveis pela construção do ídolo de ouro, não poupando irmão, amigo e vizinho. No entanto, Aarão – irmão de Moisés e mentor da obra – leva apenas uma pequena bronca e nada mais.

Talvez a história do bezerro de ouro seja verdade e a matança dos que o confeccionaram provavelmente existiu. No entanto, pragas contra o Egito e mar sendo aberto ao meio seria possível?Essa é mais uma história bíblica inventada pelo homem.

Fernando Bastos – www.pensarporsi.zip.net