sexta-feira, fevereiro 15, 2013

ALGUMAS RAZÕES PELAS QUAIS OS HUMANISTAS REJEITAM A BÍBLIA




INTRODUÇÃO

Este artigo apresenta algumas razões pelas quais os Humanistas asseguram que a Bíblia não é a palavra de Deus. Os Humanistas estão convencidos de que a Bíblia foi escrita basicamente por seres humanos que viviam numa época de ignorância, superstição e crueldade. Os Humanistas também acreditam que por ter sido escrito por pessoas que viveram numa era bárbara e de pouco esclarecimento, o livro produzido contem muitas afirmativas errôneas e ensinamentos prejudiciais.
Muita crítica tem sido dirigida aos Humanistas pela posição que sustentam em relação à Bíblia. Alguns críticos da filosofia Humanista vão até ao ponto de afirmarem que os Humanistas são o próprio Mal ou agentes do Demônio. A esperança é a de que este artigo proporcione esclarecimentos quanto às reais opiniões dos Humanistas a respeito da Bíblia.


CONTRADIÇÕES

O fato da Bíblia apresentar contradições é uma das razões pelas quais os Humanistas consideram o livro como sendo de autoridade não confiável. Obviamente, se duas afirmativas na Bíblia se contradizem, pelo menos uma das afirmativas deve ser falsa. Pelo fato de que em numerosas passagens ocorrem versículos bíblicos contraditórios, deduz-se que a Bíblia contem muitas afirmativas falsas.
As contradições aparecem já no início, quando relatos sobre a criação do mundo são apresentados. Por exemplo, Gênesis, capítulo 1, diz que o primeiro homem e a primeira mulher foram feitos ao mesmo tempo, depois dos animais ("Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou" G 1,27). No entanto, Gênesis, capítulo 2, diz que a ordem da criação foi a seguinte: homem, depois os animais e depois a mulher ("Então Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente"G2,7 - "Deus modelou do solo todas as feras selvagens e todas as aves do céu e as levou ao homem para ver como ele as chamaria" G2,19 - "Depois da costela que tirara do homem, Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem" G2,22).
Em Gênesis 1, as árvores frutíferas foram criadas antes do homem, mas no capítulo 2 há a indicação de que as árvores frutíferas foram criadas depois do homem. Em G 1:20 se diz que as aves foram criadas das águas mas em G:19 se diz que as aves foram criadas do solo. Também em G 1:2-3 afirma-se que Deus criou a luz e a separou da escuridão no primeiro dia, mas G1:14-19 diz que o sol, a lua e as estrelas só foram feitos no quarto dia.

Contradições também abundam nos relatos bíblicos de um dilúvio universal. G 6:19-22 diz que Deus ordenou a Noé para trazer para a arca dois seres de cada espécie. No entanto, em G 7:2-3 há que "de todos os animais puros e das aves dos céus, tomarás sete pares, o macho e sua fêmea; dos animais que não são puros, tomarás um casal, o macho e sua fêmea". G 7:17 diz que a inundação durou quarenta dias, mas G 8:3 diz que durou cento e cinqüenta dias. G8:4 afirma que, conforme as águas desceram, a arca de Noé repousou sobre as montanhas de Ararat no sétimo dia mas no próximo versículo se afirma que o topo das montanhas não podia ser visto até o décimo mês. G 8:13 afirma que a terra estava seca no primeiro dia do primeiro mês, mas em G 8:14 se diz que a terra não estava seca até o 27º dia do segundo mês.
O Antigo Testamento também apresenta significativas contradições na história do censo realizado pelo Rei David e a subsequente punição dos Israelitas por Deus. De acordo com a história, Deus estava tão enraivecido pelo censo que ele enviou uma praga que matou setenta mil homens. Samuel II 24:1 diz que Deus é que mandou David realizar o censo (Vai, disse Deus, e fazei o recenseamento de Israel e de Judá), mas nas Crônicas I 21:1 afirma-se que David foi influenciado por Satã para realizar o censo (Satã levantou-se contra Israel e induziu Davi a fazer o recenseamento de Israel).
Além disso, há uma contradição no que diz respeito à questão sobre o castigo de Deus às crianças pelos crimes cometidos por seus pais. Em Ezequiel 18:20, o Senhor diz: "Sim, a pessoa que peca é a que morre! O filho não sofre o castigo da iniquidade do pai, como o pai não sofre o castigo da iniquidade do filho". No entanto, em Êxodos 20-5, Deus diz: "Sou um Deus ciumento, que puno a iniquidade dos pais sobre os filhos até a terceira e a quarta geração dos que me odeiam". O Antigo Testamento é contraditório sobre o comando de Deus para que os Israelitas sacrificassem animais em seu louvor. Em Jeremias 7:22, Deus diz que não mandou os Israelitas fazerem qualquer sacrifício de animais. No entanto, em Êxodos 29:38-42 e em muitas outras passagens no Pentateuco, Deus é claro quanto ao pedido para que os Israelitas sacrifiquem animais.
Passando para o Novo Testamento, há contradições quanto à genealogia de Jesus da forma como é apresentada no primeiro capítulo de Mateus e a genealogia do terceiro capítulo de Lucas. Ambas genealogias apresentam o pai de Jesus como sendo José (o que é curioso, posto que Maria teria sido fecundada pelo Espírito Santo), mas Mateus afirma que o nome do pai de José era Jacó, enquanto que Lucas diz que seu nome era Heli. Também Mateus diz que houve vinte e seis gerações entre Jesus e o Rei David mas Lucas diz que o número foi de quarenta e uma gerações. Além disso, Mateus alega que Jesus era descendente de Salomão, filho de David, mas Lucas afirma que era de Natan, outro filho de David.
Na história do nascimento de Jesus, Mateus 2:13-15 diz que José e Maria partiram para o Egito imediatamente após a vinda dos magos do oriente com seus presentes. No entanto, Lucas 2:22-40 indica que, após o nascimento de Jesus, José e Maria permaneceram em Belém durante o tempo da purificação de Maria (que era de quarenta dias, de acordo com as leis da época) e que depois levaram Jesus para Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor e depois retornaram para sua casa em Nazaré. Lucas não menciona a jornada para o Egito ou a visita dos sábios do oriente.
Quanto à morte de Judas, Mateus 27:5 diz que Judas pegou o dinheiro que tinha obtido pela traição, atirou-o no templo, e depois foi se enforcar. No entanto, Atos 1:18 relata que Judas usou o dinheiro para comprar um terreno e que caindo de cabeça para baixo, arrebentou pelo meio, derramando-se todas as suas entranhas. Nas descrição de Jesus sendo levado para a execução, João 19:17 diz que Jesus carregou sua própria cruz. No entanto, Marcos 15:21-23 diz que um homem chamado Simão Cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, carregou a cruz de Jesus até o local da crucificação.
Quanta à própria crucificação, Mateus 27:44 nos diz que Jesus foi insultado pelos ladrões que estavam sendo crucificados junto dele. No entanto, Lucas 23:39-43 diz que somente um dos ladrões insultou Jesus e que o outro ladrão defendeu Jesus a quem Jesus teria dito: "Hoje ainda estarás comigo no Paraíso". Quanto às últimas palavras de Jesus na cruz, Mateus 27:46 e Marcos 15:34 afirmam que Jesus gritou: "Deus, meu Deus, por que me abandonastes?". Lucas 23:46 diz que as últimas palavras de Jesus foram: "Pai, em suas mãos eu entrego meu espírito". Segundo João 19:30 as últimas palavras de Jesus, foram: "está terminado".
Há contradições inclusive nos relatos da ressurreição - o evento que é a base da religião cristã. Marcos 16:2 diz que no dia da ressurreição certas mulheres chegaram ao túmulo ao nascer do sol, mas João 20:1 diz que quando chegaram já era noite. Lucas 24:2 nos diz que o túmulo estava aberto quando as mulheres chegaram, mas Mateus 28:1-2 diz que ele estava fechado. Marcos 16:5 diz que as mulheres viram um jovem rapaz no túmulo, Lucas 24:4 diz que viram dois homens, Mateus 28:2 alega que elas viram um anjo, e João 20:11-12 afirma que elas viram dois anjos.


CRUELDADES

Os humanistas também rejeitam a Bíblia porque ela descreve e aprova os mais ultrajantes atos de extrema crueldade e injustiça jamais imaginados. Um dos princípios do nosso sistema legal - e a base legal de todas as sociedades civilizadas - é a noção de que o sofrimento do inocente é a própria essência da injustiça. No entanto, na Bíblia, vemos que Deus repetidamente viola este fundamento de princípio moral causando sofrimento a numerosas pessoas e animais inocentes.
Passagens de crueldade e injustiça praticados pelo Deus da Bíblia são vistos mesmo nos princípios básicos dos ensinamentos cristãos. Alguns atos bem conhecidos do Deus bíblico são de fato imorais por causarem o sofrimento de inocentes, tais como: ter amaldiçoado toda a humanidade e a criação devido ao ato de duas pessoas, Adão e Eva (Gênesis 3:16-23 e Romanos 5:18); Ter afogado mulheres grávidas, crianças inocentes e animais na ocasião do Dilúvio (Pereceu toda carne que se move sobre a terra - Gênesis 7:20-23); Ter atormentado os Egípcios e seus animais com pragas e doenças por ter o Faraó se recusado a deixar os Israelitas deixar o Egito (Êxodos 9:8-11,25); Ter matado crianças egípcias na época da Páscoa (No meio da noite Deus feriu todos os primogênitos na terra do Egito... e houve grande clamor no Egito por não haver casa onde não houvesse um morto); Depois do Êxodos ter ordenado aos Israelitas aniquilar sem piedade os homens, mulheres e crianças de sete nações e roubar suas terras, demolir seus altares, despedaçar seus postes sagrados e queimar seus ídolos (Deuteronomio 7:1-2); ter matado o filho do Rei David por causa do adultério de David com Betsabéia (Samuel II 12:13-18); ter solicitado a tortura e o assassinato de seu próprio filho (Romanos 3:24-25) e ter prometido enviar para o sofrimento eterno todas as pessoas que não aceitassem o Cristianismo (Revelações 21:8).
Além das injustiças e crueldades contidas em muitos dos principais ensinamentos do Cristianismo, a Bíblia apresenta numerosos outras passagens de violência que estão em completa oposição aos padrões de toda a sociedade civilizada. Dentre os mais chocantes e violentos episódios estão aqueles nos quais Deus é descrito como tendo ordenado ou sancionado a decapitação de várias pessoas, incluindo-se crianças e idosos. Alguns exemplos: Em Samuel I 15:3, o profeta Samuel dá ao Rei Saul está ordem vinda do Senhor: "Vai pois agora e investe contra Amalec condena-o ao anátema com tudo o que lhe pertence, não tenhas piedade dele, mata homens, mulheres, crianças e recém-nascidos, bois e ovelhas, camelos e jumentos." Ezequiel 9:4-7 apresenta a seguinte mensagem vinda de Deus: "Percorre a cidade, a saber Jerusalém e assinala com uma cruz a testa dos homens que estão gemendo e chorando por causa de todas as abominações que se fazem em nome dela". Ouvi que dizia aos outros: "Percorrei a cidade atrás dele e feri. Não mostreis olhar de compaixão nem poupeis ninguém. Velhos, moços, virgens, crianças e mulheres, matai-os, entregai-os ao exterminador. Mas não toqueis nenhum daqueles que trouxer o sinal da cruz".
Oséias 14 apresenta a seguinte punição: "Samaria deverá expiar, porque se revoltou contra o seu Deus. Cairão pela espada, seus filhos serão esmagados, às suas mulheres grávidas serão abertos os ventres." Deuteronomio 32:23-25 relata que depois que os Israelitas provocaram o ciúme de Deus ao adorarem outros deuses, o Senhor disse: "...vou lançar males sobre eles, e contra eles esgotar as minhas flechas! Vão ficar enfraquecidos pela fome, corroídos por febres e pestes violentas; porei o dente das feras contra eles, com veneno de serpentes do deserto... perecerão todos: o jovem e a donzela, a criança de peito e o velho encanecido."
Em Números capítulo 31, o Senhor indica sua aprovação para a ordem dada por Moisés, nos versículos 17 e 18, no que diz respeito a maneira pela qual os soldados israelitas deveriam tratar mulheres e crianças capturadas na guerra: "Matai portanto todas as crianças do sexo masculino. Matai também todas as mulheres que conheceram varão, coabitando com ele. Não conserveis com vida senão as meninas que não coabitaram com homem e elas serão vossas."
Isaías 13:9,15-18 contem esta mensagem do Senhor: "Eis o dia do Senhor que vem implacável e com ele o furor ardente da ira... Todo aquele que for encontrado será trespassado... As tuas crianças serão despedaçadas sob os seus olhos, as suas casas serão saqueadas e as suas mulheres violentadas... Os arcos prostrarão os meninos; eles não terão pena das criancinhas, os seus olhos não pouparão os filhinhos". Está claro que tais versículos apresentam o Deus bíblico como tendo os mesmos escrúpulos morais de um assassino de massas sociopata...
O Deus da Bíblia também apresenta outras tendências sádicas com diversos outros métodos para atormentar o inocente. Ele abre a terra para soterrar famílias inteiras (Números 16:27-32); lança o fogo para a destruição das pessoas (Leviticos 10:1-2; Números 11:1-2); manda animais selvagens tais como ursos (Reis II 2:23-24), leões (Reis II 17:24-25), e serpentes (Números 21:6) sobre as pessoas; autoriza a escravidão (Leviticus 25:44-46); ordena a perseguição religiosa (Deuteronomio 13:12-16); causa o canibalismo ( Eu farei que eles devorem a carne de seus filhos e a carne de suas filhas - Jeremias 19:9); e exige o sacrifício de animais como meio de expiação dos pecados de seus proprietários (Exodus 29-36).
Além de causar o sofrimento de inocentes, outro tipo de crueldade que a o Deus bíblico pratica é o de infligir castigos totalmente desproporcionais aos atos pelos quais tais castigos são aplicados. Em nosso sistema de direito atual, extrema desproporção dentre castigo e ato cometido é considerada uma violação dos direitos humanos. Alguns atos triviais são punidos com a pena de morte:
No velho Testamento, o Senhor prescreve a execução como punição para o "crime" de se trabalhar nos sábados (Exodus 31:15); por praguejar contra os pais (Levíticos 20:9); por adorar outros deuses (Deuterenômio 17:2-5); por ser um bruxo, médium ou mago (Exodus 22:18, Levíticos 20:27); por envolver-se em atos homossexuais (Levíticos 13:6-10) e não ser virgem no dia do casamento (Deuteronomio 22: 20-21). Certamente, pedir a pena de morte para tais atos é rejeitar a noção de que a severidade de um castigo deve manter alguma proporção com a ofensa praticada.
No Novo Testamento, o Deus bíblico em nada melhorou no que diz respeito à aplicação de penas severas, aumentando inclusive a sua rigidez. É difícil imaginar alguma coisa mais cruel e desproporcional do que condenar os homens ao inferno e à tortura eterna pela simples descrença de que o filho de Deus tenha nascido de uma virgem na Palestina há cerca de dois mil anos atrás, que tenha transformado água em vinho, expulsado demônios das pessoas, andado sobre as águas, que tenha sido morto pela instigação do próprio povo escolhido de Deus e que depois ressuscitasse dos mortos.
A recusa em acreditar nessa história faz com que o Deus bíblico prometa castigar os infiéis com os castigos mais horríveis que possam ser imaginados.
Um dos grandes problemas com a violência e a injustiça da Bíblia é que freqüentemente o seu exemplo tem estimulado e tem sido usado para justificar atos de crueldade de seus seguidores. Muitos tem imaginado que se Deus que é justo e bom, tenha cometido e permitido os mais brutais atos de violência, os bons cristãos nada tem a temer caso ajam da mesma forma. Este processo de raciocínio é que fez com que Thomas Paine dissesse que "A crença em um deus cruel faz um homem cruel". Um exemplo desse tipo de raciocínio é apresentado pelo historiador Joseph McCabe em seu trabalho intitulado "A História da Tortura". McCabe diz que durante a Idade Média houve mais crueldade e tortura na Europa Cristã do que em qualquer outra civilização na história. Ele demonstra que a doutrina cristã de castigo eterno foi uma das principais causas da extraordinária ocorrência de tortura na Europa medieval. McCabe descreve que a justificativa lógica para a tortura era a de que "se era natural acreditar que Deus punia os homens com o tormento eterno, certamente estaria certo se os homens punissem outros homens com doses menores desse tormento por uma causa justa."
Alguns exemplos históricos de violência e atos de injustiça incitados ou apoiados pela Bíblia seriam a Inquisição, as Cruzadas, a queima de "bruxas", as guerras religiosas na Europa, as perseguições aos Judeus, a perseguição aos homossexuais, a conversão forçada de pessoas na Europa e nas Américas, a escravidão de negros, índios e orientais, o castigo em crianças, o tratamento brutal aos mentalmente perturbados, o extermínio de cientistas e pesquisadores, o uso da tortura nos interrogatórios criminais, o chicoteamento, a mutilação e a execução violenta de pessoas condenadas por algum crime. Tais atos foram parte integrante de um mundo cristão por centenas de anos. De acordo com Thomas Paine, "a Bíblia é uma história de perversidade que tem servido para corromper e brutalizar a humanidade; e, no que me diz respeito, eu sinceramente a detesto assim como detesto tudo que seja cruel".


ENSINAMENTOS INCOMPATÍVEIS COM AS LEIS DA NATUREZA:

Outras razões que levam os Humanistas a rejeitar a Bíblia é a de que ela contem numerosas afirmativas que são incompatíveis com as leis da natureza. Os Humanistas acreditam que a propagação dessas afirmativas causaram muito mal a toda humanidade. Como resultado da observação e experiência humana, um princípio fundamental da ciência é o de que as leis da natureza não se modificam nem podem ser violadas e que sempre assim se mantêm durante todo tempo. De acordo com o paleontologista Stephen J. Gould, esta uniformidade ou constância das leis naturais, é a "suposição metodológica" que faz com que a ciência seja viável. O que Gould quer dizer de fato é que sem essa suposição não haveria benefício em se estudar o mundo, fazer experimentos ou se aprender com a experiência. Tais atividades não teriam sentido em um mundo que não agisse de acordo com os leis naturais. Em tal mundo, o conhecimento de situações passadas não proporcionaria indicativo seguro sobre o que poderia acontecer em situações semelhantes no futuro. Haveria sempre a possibilidade de ocorrência de forças arbitrárias sobrenaturais interferindo nos eventos para alterar o fluxo natural previsto pela experiência anterior.
Em nosso mundo, a evidencia é clara de que os fatos ocorrem de acordo com leis naturais que são imutáveis. Como resultado, o conhecimento das leis operacionais de funcionamento da natureza aumenta nossa capacidade de predizer eventos futuros e nos adaptarmos ao curso de tais eventos. Os ensinamentos bíblicos são, entretanto, diametralmente opostos aos princípios científicos fundamentais da uniformidade operacional das leis da natureza. Consequentemente, a crença na Bíblia é incompatível com a visão científica e tem servido como um fator de desencorajamento ao desenvolvimento de uma abordagem científica na solução de problemas.
Na Bíblia, há histórias fabulosas de cobras falantes (Gênesis 3:4-5); uma árvore com frutos que quando comidos proporcionam o conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:17;3:5-7); outra árvore cujos frutos dão a imortalidade (Gênesis 3:22); uma voz vinda de um arbusto em chamas (Êxodos 3:4); um jumento falante (Números 22:28); rodas que se transformam em serpentes (Êxodos 7:10-12); água se transformando em sangue (Êxodos 7:19-22); água nascendo da pedra (Números 20:11); um defunto que renasce quando seu corpo toca os ossos de um profeta (Reis II 13:21); pessoas ressuscitando dos mortos (Reis I 17:21-22; Reis II 4:32-35; Atos 9:37-40).
Há também relatos do Sol parando (Jó 10:13); a divisão do mar (Êxodos 14:21-22); ferro flutuando (Reis II 6:5-6); a sombra retrocedendo dez degraus (Reis II 20:9-11); uma bruxa trazendo a alma de Samuel de volta do mundo dos mortos (Samuel I 28:3-15); dedos sem um corpo escrevendo num muro (Daniel 5:5); um homem que viveu por três dias e três noites no estômago de um peixe (Jonas 1:17); pessoas andando sobre as águas (Mateus 14:26-29); uma virgem fecundada por Deus (Mateus 1:20); a cegueira curada por cuspe (Marcos 8:23-25); uma piscina que curava os que nela mergulhassem (João 5:2-4) e anjos e demônios interferindo nos assuntos terrestres (Atos 5:17-20; Lucas 11:24-26).
É claro que tais histórias não estão de acordo com as leis da natureza. Estas fábulas bíblicas servem para manter a idéia primitiva de que freqüentemente forças sobrenaturais podem intervir em nosso mundo. Presumivelmente, os autores de tais histórias ou mentiram ou foram desonestos quando relataram essas histórias. Quando examinados à luz da experiência e da razão, tais suspensões das leis da natureza carecem de credibilidade. Nossa experiência demonstra que o mundo se comporta de acordo com princípios de regularidade que nunca são alterados. Uma terrível conseqüência na crença de que forças sobrenaturais interferem nos afazeres terrestres tem sido a de pessoas que freqüentemente desviam suas energias na tentativa de buscar no sobrenatural a solução de problemas de nosso mundo. Ao invés de estudar o mundo natural para descobrir fatos que possam ser usados para o desenvolvimento de soluções científicas, tais pessoas se engajam em atividades religiosas no esforço de obter ajuda de forças sobrenaturais ou para impedir a influência de forças supostamente malignas em suas vidas.
Um exemplo de tal desvio de energias pode ser visto na história das tentativas de prevenir a ocorrência e a disseminação de doenças na Europa. O historiador Andrew White diz que, durante muitos séculos na Idade Média, a imundície das cidades européias sempre causou grandes pestilências que levaram multidões para os túmulos. Baseado nos ensinamentos da Bíblia, os teólogos cristãos durante séculos acreditavam que tais pestes eram causadas não por falta de higiene, mas pela ira de Deus ou pelas maldades de Satã.
Devido a crença nas causas espirituais das doenças, os teólogos ensinavam as pessoas que as pragas poderiam ser evitadas ou aliviadas por atos religiosos, tais com arrependimento dos pecados, doação de presentes para as igrejas e monastérios, participação em procissões religiosas e comparecimento aos encontros nas igrejas (o que certamente somente servia para espalhar ainda mais as doenças). A possibilidade de causas físicas para a existência e cura das doenças sempre foi ignorada pelos religiosos.
Andrew White diz que, a despeito de todas as rezas, rituais e outras atividades religiosas, a freqüência e o rigor das pragas não diminuiu até que a higiene científica começasse a se tornar presente. Falando das melhorias higiênicas que ocorreram na metade do século XIX, White diz que "as autoridades sanitárias conseguiram em meio século fazer mais pela redução da doença do que tinha sido feito em 1500 anos por todas as feitiçarias que os religiosos tentaram realizar."


ENSINAMENTOS INCONSISTENTES COM A ESTRUTURA FÍSICA DO MUNDO:

Uma razão adicional pela qual os Humanistas rejeitam a Bíblia é a de que ela contem muitos ensinamentos que são contrários ao que a ciência descobriu como sendo a estrutura física do mundo.
Um exemplo clássico sobre os ensinamentos incorretos da Bíblia pode ser visto na oposição dos religiosos cristãos aos argumentos de Galileu sobre os argumentos da doutrina de Copérnico quanto ao duplo movimento terrestre. No século XVI, Copérnico apresentou a idéia de que a Terra girava em torno de si e do Sol, e no século seguinte o telescópio de Galileu proporcionou evidencias seguras de que Copérnico estava certo. Em oposição à doutrina de Copérnico e na tentativa de demonstrar que a Terra permanecia estável enquanto o Sol se move em seu redor, a Igreja católica se referiu ao décimo capítulo do livro de Jó. Lá somos informados que Jó conseguira que o Sol, e não a Terra, permanecesse parado para que o dia fosse mais longo e assim pudesse cumprir sua missão na batalha contra os Amoritas.
Outras passagens demonstram que os escritores da Bíblia pensavam que a Terra era fixa: Salmos 93:1 (O Mundo não pode ser movido), Crônicas 16:30 e Salmos 104:5 (O Senhor fixou as fundações da Terra de forma que jamais pudesse ser movida).
Por causa dos pontos de vista de Galileu sobre a doutrina de Copérnico, a Inquisição o torturou, forçando-o a desmentir suas afirmativas e condenou-o à prisão. Além disso, baseado nos ensinamentos da Bíblia, por quase duzentos anos, o Índex dos Livros Proibidos da Igreja Católica condenaram todos os escritos que afirmassem a idéia do duplo movimento terrestre. Além disso, por gerações, as principais correntes da Igreja Protestante - Luteranos, Calvinistas e Anglicanos - denunciaram a doutrina de Copérnico como sendo contrária às escrituras.
A Bíblia também contem erros grosseiros quando sustenta a idéia da Terra ser plana. No sexto século, um monge cristão chamado Cosmas escreveu um livro intitulado Topographia Christiana no qual ele descrevia a estrutura do mundo físico. Cosmas baseou suas conclusões nos ensinamentos da Bíblia e sustentava que a Terra era plana, cercada por quatro mares.
Uma das razões para a crença de Cosmas numa terra plana era a afirmativa bíblica do livro das Revelações 1:7 de que, quando Cristo retornasse, "todos os olhos o iriam ver". Cosmas concluiu que se a Terra fosse redonda ao invés de plana, as pessoas que estivessem do outro lado não poderiam presenciar a Segunda vinda de Cristo...
Outros apoios bíblicos para a idéia da terra plana podem ser encontrados em Isaías 11:12 (ao falar dos quatro cantos da Terra) e em Jeremias 16:19 e Atos 13:47 (final da Terra).
Como conseqüência de tais ensinamentos bíblicos, a maioria dos antigos padres acreditavam que a terra era plana. O pensamento de Cosmas também foi considerado por muito tempo como parte da doutrina da Igreja Ortodoxa. Consequentemente, quando Cristóvão Colombo propôs, no século XV, a idéia de partir do leste da Espanha para chegar as Índias pelo lado oeste, a noção da Terra Plana foi um dos principais motivos de oposição ao empreendimento.
A Bíblia também apresenta a idéia do céu como uma abóbada solida. Em Gênesis 17 o Senhor coloca o Sol e a Lua "no firmamento" para que houvesse luz sobre a Terra. A palavra em Hebreu traduzida como "firmamento" é "raqia", que significa "metal batido". Por essa razão, a Igreja levou muito tempo aceitando a idéia do "firmamento". Tal idéia também foi aceita por Cosmas e consequentemente tornou-se parte da doutrina ortodoxa da Igreja por diversos séculos.
Dentro dessa doutrina estava a idéia ingênua de que havia janelas no firmamento que eram abertas por anjos sempre que Deus desejasse fazer chover na Terra. Cosmas acreditava que quando tais janelas eram abertas, uma porção das águas contidas acima do "firmamento", conforme mencionadas em Gênesis 1:17, caiam sobre a Terra. A base de Cosmas para esse ponto de vista era a afirmativa de Gênesis 7:11-12, de que no tempo do dilúvio, "as janelas dos céus foram abertas" caindo assim a chuva sobre a Terra.
A Bíblia também afirma que a Terra repousa sobre pilares. Os "pilares" da Terra são mencionados em diversos versículos do Velho Testamento (Samuel I 2:8, Salmos 75:3, Jó 9:6). Tais passagens, na verdade, são um reflexo da crença dos antigos Hebreus de que a Terra se sustentava sobre pilares.
Além disso, a Bíblia contradiz a ciência médica ao declarar que as doenças e outros males físicos resultam de agentes sobrenaturais, tais como atividades demoníacas, ao invés de causas físicas. Ao descrever as curas de Jesus, o Novo Testamento afirma que os seguintes fatos teriam sido produzidos por demônios: cegos (Mateus 12:22), mudos (Mateus 9:32-33), aleijado (Lucas 13:11,16), epilepsia (Mateus 17:14-18) e insanidade (Marcos 5:1-13).
Como conseqüência, os líderes da Igreja geralmente desencorajavam o ponto de vista de que a doença pudesse ser causada por processos naturais e apoiavam a idéia de agentes demoníacos como principais causas dos males. Por exemplo, Santo Agostinho, cujas idéias fortemente influenciaram o pensamento ocidental por mais de um milênio, disse no século IV: "Todas as doenças dos cristãos devem ser atribuídas a estes demônios..." Mesmo com o surgimento da Reforma Protestante no século XVI, não houve muita mudança na atitude da Igreja quanto à origem das doenças. Martinho Lutero sempre atribuía sua própria doença à "praga do diabo" e ensinava que: "Satã produz todos os males que afligem a humanidade, pois ele é o príncipe da morte".
A Bíblia também contem versículos que mencionam dragões (Jeremias 51:34), Unicórnios (Isaías 34:7) e outros animais fabulosos (Isaías 11:8). Com base nestes versos, muitos naturalistas da Idade Média acreditavam que essas criaturas míticas de fato existiram.
Além disso, por séculos, e ainda hoje em muitos lugares, os versículos bíblicos levaram o mundo cristão a acreditar que os cometas são enviados de Deus para prevenir a humanidade de sua ira divina e castigo iminente; que o surgimento de estrelas e meteoros são presságios benéficos de eventos tais como o nascimento de heróis e grandes homens; que os eclipses significam a divina tristeza devido a fatos terrestres; que os temporais e todos os fenômenos meteorológicos desagradáveis são causados pela ira de Deus ou pela fúria de Satã; e que, mesmo que a Terra seja redonda, as pessoas ainda assim não vivem "do outro lado."
A Bíblia também não está cientificamente correta quanto diz que o morcego é um pássaro (Levíticos 11:13,19), que o coelho e a lebre ruminam (Levíticos 11:5-6), e que a semente de mostarda "é a menor de todas as sementes"(Mateus 13:32). Também é inconsistente com a ciência e de fato absurdo assegurar que Deus tenha confundido as línguas dos seres humanos por ele temer que os homens unidos pudessem construir uma torre alta o suficiente para atingir o Céu (Gênesis 11:1-9).
O efeito de se buscar na Bíblia idéias a respeito da estrutura do mundo físico foi bem resumida pelo historiador Andrew White. Ele diz que "desenvolveu-se em todos os campos pontos de vista teológicos sobre a ciência que nunca levaram para uma verdade sequer e que, sem exceção, forçaram a humanidade a se distanciar da verdade causando por séculos o afundamento do mundo cristão num abismo de erros e infortúnios."
Face às numerosas afirmativas incorretas concernentes à estrutura do mundo físico contidas na Bíblia, parece não haver razão para se acreditar que os escritores bíblicos estivessem mais corretos quando escreviam sobre coisas invisíveis. Cometendo tantos erros sobre o universo observável, a Bíblia não pode ser considerada como um guia totalmente confiável quando trata de assuntos espirituais e questões de fundo ético.


PROFECIAS NÃO REALIZADAS

Também, em confirmação à posição dos Humanistas sobre a Bíblia, há o fato de que ela contem profecias que comprovadamente falsas. A não ocorrência de eventos biblicamente profetizados, constitui prova clara de que a Bíblia não é infalível.
A Bíblia mesmo é que apresenta um teste para determinar se uma profecia foi inspirada por Deus. Deuteronomio 18:22 diz: "Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou tal profeta, não tenhas temor dele." Ao aplicar esse mesmo teste na Bíblia, nós percebemos que ela contem afirmativas que não foram inspiradas por Deus.
Em Gênesis 2:17, o Senhor teria advertido Adão e Eva sobre o fruto que havia na árvore do conhecimento: "Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás". Porém em Gênesis, no capítulo 3, somos informados de que Adão e Eva comeram do fruto proibido e não morreram no dia em que assim agiram.
Gênesis 35:10 informa que Deus disse a Jacó: "O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel". No entanto, 11 capítulos depois, em Gênesis 46:2 lemos "E falou Deus a Israel em visões de noite, e disse: Jacó, Jacó! E ele disse: Eis-me aqui."
Em II Crônicas 1:12 há que Deus disse a Salomão: "Sabedoria e conhecimento te são dados; e te darei riquezas, e fazenda, e honra, qual nenhum rei antes de ti leve, e depois de ti tal não haverá." Como o grande agnóstico Robert Ingersoll disse no século XIX, houve diversos reis na época de Salomão que poderiam jogar fora todo o reinado de Salomão (Palestina) sem perder muito com isso. Podemos acrescentar que a riqueza de Salomão é pequena comparada aos padrões atuais e sempre foi superada por muitos reis que reinaram depois dele.
Alguns exemplos de outras profecias não realizadas no Velho Testamento incluem: Os Judeus irão ocupar a terra do rio Nilo até o rio Eufrates (Gen. 15:18); eles nunca perderão suas terras e nunca mais serão perturbados (Samuel II 7:10); A casa e o reinado de David durarão para sempre; nenhuma pessoa incircuncisada nem imunda entrará em Jerusalém (Isaías 52:1); Damasco seria reduzida a um montão de ruínas (Isaías 17:1); as águas do Egito iriam secar (Isaías 19:5-7).
Aplicando ao Novo Testamento o mesmo teste bíblico para identificação de falsos profetas, somos forçados a concluir que o próprio Jesus fez declarações não inspiradas por Deus. Por exemplo, as profecias de Jesus a respeito da época em que o mundo iria terminar são claramente incorretas. Em Mateus 16:28, Jesus diz a seus discípulos: "... que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino". Obviamente, as pessoas que estavam lá já morreram todas e nenhuma delas viu Jesus retornar para fundar o seu reinado.
Além disso, em Marcos 13:24-30, Jesus teria listado uma série de signos que deveriam acompanhar o fim do mundo, incluindo o escurecimento do sol, a lua não "dando" mais luz, as estrelas caindo, o filho do homem nas nuvens com grande poder e glória e a presença de anjos. No versículo 30, Jesus diz: "Não passará esta geração, sem que todas estas coisas aconteçam." Aquela geração passou há muito tempo e os acontecimentos previstos não ocorreram.
A análise do Novo Testamento também revela que Jesus estava incorreto na sua previsão no que dizia respeito a quantidade de tempo em que ele ficaria na tumba. Em Mateus 12:40, Jesus diz: "Pois como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra." Porém, Marcos 15:42-45 diz que Jesus morreu na tarde do dia antes do Sábado (ou seja na Sexta-feira) e Marcos 16:9 e Mateus 28:1 nos dizem que Jesus saiu da tumba no Sábado à noite ou no Domingo pela manhã. De Sexta a Domingo pela manhã não há como se contar três dias e três noites.
Para dar mais um exemplo do Novo Testamento, Jesus diz em João 14:13-14 que: "E tudo o que pedires em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei." Em milhões de situações tais solicitações foram feitas e não foram atendidas. Como um único exemplo, basta lembrar o assassinato do Senador Robert F. Kennedy. Durante horas, logo após ter sido ferido, milhões de pessoas rezaram em nome de Jesus pela recuperação do Senador Kennedy. Se já houve um teste para a força da oração cristã, esse foi um de fato. Todos sabemos o resultado. Contrariamente ao que estava mencionado na Bíblia, o pedido não foi atendido. Assim ocorrem com outras profecias mencionadas na Bíblia. A existência de incorretas profecias colocam em dúvida a veracidade dos ensinamentos bíblicos. Se um versículo na Bíblia está errado, é bem possível que outros versículos estejam errados também.


AFIRMATIVAS INCORRETAS SOBRE A HISTÓRIA

Mais uma razão para a rejeição da Bíblia pelos humanistas é a de que ela contem afirmativas incorretas a respeito da história. As pesquisas de historiadores e outros estudiosos indicam que muitas afirmativas na Bíblia são historicamente incorretas.
A respeito do Velho Testamento os historiadores determinaram que a história de um dilúvio universal não passa de um mito. Por exemplo, Andrew White aponta que o Egito tinha uma próspera civilização muito antes do dilúvio bíblico de Noé e que nenhum dilúvio chegou a interrompe-la.
O livro de Êxodos nos fala de uma fuga dos escravos israelitas do Egito mas os historiadores e os arqueólogos jamais conseguiram confirmar nada sobre esse fato. Nenhum registro egípcio se refere ao Moisés bíblico ou às pragas devastadoras que Deus supostamente teria infligido ao país ou à fuga dos escravos hebreus ou ao afogamento do exército egípcio. Além disso, White relata que os registros contidos nos monumentos egípcios demonstram que o faraó que reinava na época da suposta fuga dos judeus jamais se afogou no Mar Vermelho.
O livro de Esther fala de como uma jovem judia chamada Esther foi escolhida pelo Rei persa Xerxes I para ser a rainha depois do rei ter se divorciado da rainha Vashti. Embora os historiadores saibam uma grande quantidade de fatos sobre Xerxes I, não há registro de que ele tivesse uma rainha judia chamada Esther ou de que tenha sido casado com Vashti.
Além disso, o livro de Esther afirma que o império persa foi dividido em cento e vinte e sete províncias mas os historiadores nos dizem que nunca houve tal divisão do império. Também, ao contrário do que é dito no livro, Xerxes I não ordenou aos judeus em seu território que atacassem seus súditos persas.
O livro de Daniel contem o relato de certos eventos que supostamente ocorreram durante a permanência dos judeus na Babilônia. No quinto capítulo do livro, somos informados de que o rei Nabucodonosor foi sucedido no trono pelo seu filho Belsasar. No entanto, os historiadores nos dizem que Belsazar não era filho de Nabucodonosor e nunca foi rei. O livro também nos fala de um "Dario, o Medo", capturou a Babilônia no sexto século. A história nos diz que foi Ciro da Pérsia que tomou a Babilônia.
Passando para o Novo Testamento, o segundo capítulo do livro de Lucas diz que, pouco antes do nascimento de Jesus, o imperador Augusto ordenara um censo a ser realizado em todo o mundo romano. Lucas nos diz que todas as pessoas tinham que viajar para a terra dos seus ancestrais com o objetivo de fazer esse censo. Ele indica que tal censo teria sido a razão que levou José e Maria a viajar de Nazaré até Belém, onde Jesus teria nascido.
No livro intitulado, "Ficções Apostólicas", Randal Helms diz que tal censo jamais foi realizado na história do Império Romano. Ele também diz que é ridículo se pensar que os romanos tão práticos fossem solicitar a milhões de pessoas a viajar distancias enormes até as cidades de seus já falecidos progenitores, meramente para assinar um formulário de registro.
O terceiro capítulo de Lucas contem uma genealogia que traça os ancestrais de Jesus em 76 gerações até chegar a Adão, que, de acordo com Gênesis, capítulo 1, foi criado juntamente com o restante do universo durante o transcorrer de uma semana. A Bíblia, dessa forma, sustenta a idéia de que a história da raça humana, bem como a de todo o universo, se estende por um período relativamente curto de tempo, não mais do que alguns milhares de anos. De fato, considerando-se os ensinamentos bíblicos, tais como os de Lucas, capítulo 3, durante muitos séculos a posição Cristã ortodoxa era a de que toda a Criação ocorrera dentre 4 a 6 mil anos antes do nascimento de Cristo. A ciência apresenta hoje números bastante diferentes...
O segundo capítulo do livro de Mateus diz que logo após o nascimento de Jesus, o rei Herodes teria ordenado o massacre de todos as crianças do sexo masculino até dois anos de idade em Belém e suas vizinhanças. No livro de Lucas, o qual contem a única outra história do nascimento de Jesus, não há qualquer menção de tal ordem tão cruel. Tal acontecimento não é também mencionado em nenhum dos registros da época. Tem-se a impressão de que a história de Mateus foi inventada.
Mateus 27:45 diz que enquanto Jesus estava na cruz, caiu sobre a terra uma escuridão que durou do meio-dia até as três horas da tarde. Andrew White diz que observadores romanos tais como Sêneca e Plínio embora tivessem descrito ocorrências muito menos significativas em regiões mais remotas, não fazem qualquer menção a esse fato em particular.
Outro fato marcante, é que Josephus, o melhor historiador judeu do primeiro século, jamais disse nada sobre a vida e a morte de Jesus; nada sobre o infanticídio cometido por Herodes; nenhuma palavra sobre a estrela que apareceu nos céus quando do nascimento de Jesus; nada sobre a escuridão que se abateu sobre a terra; nada sobre a centena de túmulos que se abriram e da multidão de judeus que se levantaram dos mortos e visitaram a cidade sagrada. Na verdade, nenhum historiador da época jamais mencionou tais prodígios.


CONCLUSÃO

Em resumo, os humanistas rejeitam a Bíblia porque ela contem contradições, crueldades, afirmativas completamente inconsistentes com as leis da natureza, afirmativas incorretas sobre a estrutura do mundo físico, profecias incorretas e diversos erros históricos. Outros problemas também poderiam ser citados, tais como não sabermos quem escreveu a maior parte de seus livros, o fato de que tenha sido escrita muitos anos depois da ocorrência dos fatos, suas muitas passagens obscenas, sua promessa de salvação para os ignorantes e os crédulos e a condenação à tortura eterna para os cépticos e os investigadores que proporcionaram infinitos benefícios à raça humana.
Todos esses problemas e muitos outros constituem clara evidencia de que a Bíblia não é a palavra de Deus. Ao invés de ser infalível, a Bíblia tem muito mais afirmativas incorretas e ensinamentos imorais do que na maioria de outros livros. Como resultado de se tratar um livro assim tão cheio de erros como sendo infalível, a civilização ocidental foi levada ao erro e à miséria através da história. Além disso, podemos concluir que, no mundo atual, a influência dos ensinamentos bíblicos no campo político pode resultar - e, na opinião de certas pessoas, certamente resulta - na continuidade de um grande número de procedimentos socialmente prejudiciais e uma oposição às propostas progressivas de melhoria social.
Além disso, percebemos através da mídia que os versículos bíblicos ainda levam alguns cristãos a cometer atos bizarros e prejudiciais tais como espancar as crianças, não aceitar tratamento médico, tomar veneno, cortar as mãos ou os pés, arrancar os olhos, violentamente tentar arrancar do corpo demônios, afastamento dos afazeres comuns ao nosso mundo, renúncia aos prazeres da vida e a expectativa de um final iminente do mundo.
Por a Bíblia conter tantas afirmativa incorretas e ensinamentos pouco éticos e por ter causado e continuar causando numerosos erros e tantos prejuízos, nós rejeitamos a proposta daqueles que nos exortam a buscar na Bíblia as respostas para nossos problemas pessoais, sociais e políticos.
O que tem permitido à humanidade corrigir muitas das falsas idéias que a Bíblia nos dá sobre o mundo tem sido a aplicação de uma abordagem científica à solução de problemas. Tal abordagem envolve a confiança na observação, experiência, lógica e empatia do ser humano, muito mais do que uma cega aceitação de dogmas religiosos seculares.
Quando os resultados obtidos com os métodos científicos são vistos em confronto com as idéias incorretas contidas na Bíblia e com os prejuízos causados por tais idéias, fica bem claro que somos muito mais bem guiados pela razão e compaixão humana do que pelos ensinamentos da Bíblia.
Joseph C. Sommer
FONTE: http://www.xr.pro.br/livros/humansxbible.html

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

O CUSTO DE ABRIR UMA IGREJA NO BRASIL


Após fundar igreja, reportagem da Folha abre conta bancária e faz aplicação isenta de IR

Além de vantagens fiscais, ministros religiosos têm direito a prisão especial e estão dispensados de prestar serviço militar


HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Bastaram dois dias úteis e R$ 218,42 em despesas de cartório para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio já tinha CNPJ, o que permitiu aos seus três fundadores abrir uma conta bancária e realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Seria um crime perfeito, se a prática não estivesse totalmente dentro da lei. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja. Tampouco se exige um número mínimo de fiéis.
Basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório. Melhor ainda, o Estado está legalmente impedido de negar-lhes fé. Como reza o parágrafo 1º do artigo 44 do Código Civil: "São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento".

A autonomia de cada instituição religiosa é quase total. Desde que seus estatutos não afrontem nenhuma lei do país e sigam uma estrutura jurídica assemelhada à das associações civis, os templos podem tudo.
A Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, por exemplo, pode sem muito exagero ser descrita como uma monarquia absolutista e hereditária. Nesse quesito, ela segue os passos da Igreja da Inglaterra (anglicana), que tem como "supremo governador" o monarca britânico.

Livrar-se de tributos é a principal vantagem material da abertura de uma igreja. Nos termos do artigo 150, VI, b da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais.

Isso significa que, além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), ISS (serviços), para citar só alguns dos vários "Is" que assombram a vida dos contribuintes brasileiros. A única condição é que todos os bens estejam em nome do templo e que se relacionem a suas finalidades essenciais -as quais são definidas pela própria igreja.

O caso do ICMS é um pouco mais polêmico. A doutrina e a jurisprudência não são uniformes. Em alguns Estados, como São Paulo, o imposto é cobrado, mas em outros, como o Rio de Janeiro e Paraná, por força de legislação estadual, igrejas não recolhem o ICMS nem sobre as contas de água, luz, gás e telefone que pagam.

Certos autores entendem que associações religiosas, por analogia com o disposto para outras associações civis, estão legalmente proibidas de distribuir patrimônio ou renda a seus controladores. Mas nada impede -aliás é quase uma praxe- que seus diretores sejam também sacerdotes, hipótese em que podem perfeitamente receber proventos.

A questão fiscal não é o único benefício da empreitada. Cada culto determina livremente quem são seus ministros religiosos e, uma vez escolhidos, eles gozam de privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (CF, art. 143) e o direito a prisão especial (Código de Processo Penal, art. 295).
Na dúvida, os filhos varões dos sócios-fundadores da Igreja Heliocêntrica foram sagrados minissacerdotes. Neste caso, o modelo inspirador foi o budismo tibetano, cujos Dalai Lamas (a reencarnação do lama anterior) são escolhidos ainda na infância.

Voltando ao Brasil, há até o caso de cultos religiosos que obtiveram licença especial do poder público para consumir ritualisticamente drogas alucinógenas.

Desde os anos 80, integrantes de igrejas como Santo Daime, União do Vegetal, A Barquinha estão autorizados pelo Ministério da Justiça a cultivar, transportar e ingerir os vegetais utilizados na preparação do chá ayahuasca -proibido para quem não é membro de uma dessas igrejas.

Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas. Templos de qualquer culto poderão, por exemplo, reivindicar apoio do Estado na preservação de seus bens, que gozarão de proteção especial contra desapropriação e penhora.
O diploma também reforça disposições relativas ao ensino religioso. Em princípio, a Igreja Heliocêntrica poderá exigir igualdade de representação, ou seja, que o Estado contrate professores de heliocentrismo.

Colaboraram os bispos CLAUDIO ANGELO, editor de Ciência, e RAFAEL GARCIA, da Reportagem Local

FOLHA DE SÃO PAULO
São Paulo, domingo, 29 de novembro de 2009

LEITURA PARA O NATAL

Os deuses precursores (I):
JEZEUS CRISTNA

Desta última viagem, voltei com alguns livros daqueles que não encontramos aqui. Destaco dois. De Karen Armstrong, minha teóloga predileta, Los Orígenes del Fundamentalismo en el Judaísmo, el Cristianismo y el Islam. Armstrong, eu a conheço desde há muito e tenho boa parte de suas obras em minha biblioteca. O outro livro foi Pablo de Tarso, ¿Apóstol o Hereje?, de autora espanhola que desconhecia, Ana Martos. Apesar de alguns lapsos, como falar da existência de três reis magos na Bíblia - o Livro fala apenas de magos, jamais diz que são reis e muito menos que são três - Martos faz importantes reflexões sobre as origens do cristianismo e sobre a heresia de Paulo.

Para começar, segundo a autora, os poemas e livros sagrados hindus, que narram o mito do primeiro casal que desobedeceu e foi expulso do paraíso terrenal do Ceilão, afirmam que Brahma finalmente os perdoou, mas que, posto que era um deus, conhecia de sobra a natureza humana e soube de antemão que continuariam pecando e ofendendo-o, porque o mal já havia entrado no mundo e não era fácil tirá-lo dali. Por isso, decidiu enviar Vischnu, a segunda pessoa da Trindade, para que se encarnasse no ventre de mulher mortal e redimisse o gênero humano do mal e da morte eterna. Vischnu se encarna mais de uma vez. Sua oitava reencarnação foi Cristna, e a nona, Buda. 3500 anos antes de nossa era, Cristna nasceu de mãe virgem, tendo sido profetizada sua vinda ao mundo pelos livros santos. Acho que o leitor já conhece história semelhante.

Adelante! A concepção da mãe de Cristna foi marcada pelo divino. Vischnu apareceu em sonhos a uma mulher justa e boa chamada Lakmy, que esperava um filho, advertindo-a que daria luz a uma filha, que seria eleita por Deus para ser mãe do futuro redentor do mundo. A criança deveria chamar-se Devanaguy e não deveria conhecer varão, mas permanecer virgem e entregue à oração.

Anos depois, Cristna foi concebido milagrosamente durante uma cena mística, na qual Devanaguy entrou em êxtase enquanto orava fervorosamente, ofuscada pela luz e esplendor do espírito divino que se encarnou em seu ventre. Mas Rausa, tirano e tio de Devanaguy, foi advertido em sonhos de que a criança que nasceria de sua sobrinha o destronaria algum dia e a encerrou em uma torre.

Nove meses depois chegou o momento esperado do parto e, ao primeiro gemido de dor da parturiente, um forte vendaval a elevou milagrosamente e a transportou até a cova do pastor Nauda, onde nasceu um menino a quem deram o nome de Cristna.

Todos os pastores acudiram a adorá-lo e a atender a mãe e o filho, mas Rausa soube que a criança havia nascido fora de sua prisão e, enfurecido, mandou degolar todos os meninos que tivessem nascido naquela noite. Devanaguy recebeu a advertência celestial e fugiu com o menino para colocá-la a salvo da degola, quando os soldados do tirano se aproximavam perigosamente.

Passaram-se os anos e Cristna, a criança celestial, cumpriu dezesseis. Chegou então o momento de abandonar a proteção materna para percorrer a Índia e predicar uma nova moral. Uma moral que a todos impactou, porque se atreveu a proclamar a igualdade entre os homens e inclusive, com coragem, entre as castas hindus, algo que ninguém até então havia sido capaz de mencionar. E não só isso, mas também pôs em destaque a hipocrisia dos sacerdotes brâmanes, o que lhe valeu sua ira e suas contínuas perseguições.

Quando foi necessário, Cristna realizou o milagre de curar enfermos e leprosos, fazer andar os paralíticos, devolver a visão aos cegos e inclusive ressuscitar os mortos. Muita gente o seguiu porque sua doutrina falava de bondade, de ajudar e amar-se mutuamente e de socorrer os frágeis e inválidos. Ensinou que é preciso amar aos demais como a si mesmo, que é melhor devolver bem por mal e que a melhor forma de viver é praticar a caridade e todas as virtudes.

Disse ter vindo ao mundo para redimir os homens do pecado de seus primeiros pais, rodeou-se de discípulos que continuariam seu trabalho e ensinou sua doutrina através de parábolas. Certa ocasião, Cristna teve de repreender o principal de seus discípulos, Ardjuna, por sua escassa fé, já que ele e outros seguidores entraram em pânico quando sentiram aproximar-se os esbirros do tirano. Mas Cristna soube infundir neles novo ânimo, mostrando-se com todo seu divino resplendor da segunda pessoa da Trindade divina. Após sua transfiguração, seus discípulos começaram a chamar-lhe Jezeus, que significa "nascido da essência divina".

Quando soube que havia chegado sua hora, retirou-se a um lugar para rezar, proibindo a seus discípulos que o seguissem. Submergiu no rio Gânges e logo ajoelhou-se às suas margens, recostando-se a uma árvore e esperando sua morte. Enquanto rezava, chegaram os soldados do tirano e os esbirros dos sacerdotes e um deles feriu-o com uma flecha. Para que terminasse de morrer, o dependuraram em uma árvore para que o devorassem os animais selvagens.

Seus discípulos o procuraram ansiosos quando souberam de sua morte e correram para apanhar seus restos, mas nada encontraram porque o filho de Deus havia ressuscitado e voltado aos céus.

Isto aconteceu 3500 anos antes de nossa era. Qualquer semelhança com aquela outra história não é mera coincidência.

Os deuses precursores (II):
AGNI E MITRA

Continuo a relação dos mitos compilada por Ana Martos. Segundo a autora, encontramos mais um mito precursor nos Veda, os livros sagrados da Índia revelados pelo próprio Brahma e compilados por Vyasa, que datam do século XIV antes de nossa era. Traduzo.

Agni nasceu no 25 de dezembro, solstício de inverno, tendo sido sua vinda anunciada ao mundo por uma estrela no firmamento. Desde então, quando reaparece, os sacerdotes anunciam a boa nova ao povo e repetem o rito do descobrimento do fogo, esfregando os lenhos cruzados, até que surge a chispa como uma criatura celestial que colocam sobre palhas para que prenda fogo. Os sacerdotes levam até o berço de palha uma vaca que leva a manteiga e um asno que leva o soma, um licor alcoólico de cor dourada, com os quais alimentam a pequena chama, à qual chamam criatura.

No ritual, os sacerdotes lhe oferecem pão e vinho e cada fiel recebe uma pequena partícula da oferenda, que contém parte do corpo de Agni, nome que se transformou em Agnus, cordeiro em latim, no contato com o povo romano. O cordeiro que se oferece a Deus como vítima propiciatória pela redenção dos homens, o cordeiro de Deus, Agnus Dei.

O nome de Agni significa "unção", que em grego se diz "cristnos", de onde procede "cristo", o "ungido", o Messias judeu e cristão dito em grego, porque em hebraico se diz mashiakh, que se translitera como messias. Os dois lenhos cruzados são a cruz onde se gera o fogo, o Sol, que é a origem do deus segundo o dogma ariano de uma trindade composta pelo Sol, pai celeste; o fogo, encarnação do Sol e o espírito, sopro de ar que acende a chama.

Nos conta a autora que a Índia teve um outro deus, não tão importante, mas que passou ao panteão persa - e depois ao romano - com todas as características de um deus principal. Seu nome era Mitra, também chamado o Senhor, e fez nascer com suas flechas a fonte eterna do batismo, já na Pérsia. Nasceu de mãe virgem, em um 25 de dezembro, a festa mais importante da religião dos magos persas. Seu nascimento foi anunciado por uma estrela que apareceu no Oriente e os magos acudiram a adorá-lo, levando-lhe perfumes, ouro e mirra. Mitra morreu no equinócio da primavera, em março, para ressuscitar triunfante no terceiro dia.

Na religião mitraica, que primeiro foi hindu, logo persa e finalmente foi adotada por Roma como religião oficial, Mitra, que originalmente foi o ministro principal do deus Ormuz, venceu o touro que simbolizava a vida, arrastou-o a uma cova e lá o degolou para beber seu sangue, porque de seu sangue surgiu a vida e de sua carne se originaram todos os animais e todas as plantas. Por isso, Mitra se converteu em criador do universo e, ao mesmo tempo, em mediador entre Ormuz e o ser humano.

Os ritos de iniciação nos mistérios de Mitra incluíam batizar o neófito com sangue de touro sacrificado em um lugar mais elevado, de onde o sangue manava para banhar o iniciado. A iniciação começava com o batismo e terminava com a comunhão, em que se consumia a carne do touro com água, pão e vinho. O pão e o vinho se consagravam previamente com uma fórmula mística que os converteria em corpo e sangue do deus. O culto de Agni surgiu 1400 anos antes de nossa era.

Qualquer semelhança com aquela outra história não é mera coincidência.

Os deuses precursores (III):
OSÍRIS, DIONISOS E SERAPIS

Ana Martos vai adiante e envereda pela mitologia egípcia. Os Textos das Pirâmides mostram que Osíris oferece seu corpo como pão de vida e seu sangue como vinho. "Tu és o pai e a mãe dos homens que vivem de teu sopro, comem a carne de teu corpo e bebem teu sangue. O que come tua carne e bebe teu sangue viverá eternamente".

Os gregos identificaram Osíris com Dionisos, o deus encarnado, o salvador, filho de Deus, nascido de uma mulher mortal, em um 25 de dezembro, em uma cova humilde onde pastores o adoraram. Osíris Dionisos oferecia a seus seguidores o renascimento para a vida eterna mediante a imersão ritual na água. Em sua vida terrena converteu a água em vinho durante uma cerimônia nupcial. Entrou triunfalmente na cidade montado em um asno, enquanto as pessoas brandiam palmas. Morreu na Páscoa (na primavera) pelos pecados do mundo, desceu aos infernos e ressuscitou no terceiro dia para ascender glorioso à sua morada celestial, de onde descerá ao final dos tempos para julgar os homens bons e os maus. Dionisos, como Baco e, em alguns cultos, Orfeu, foi crucificado pelos pecadores, mas não em uma cruz de dor, senão em uma cruz de salvação, porque a cruz é símbolo e totem de muitos povos. Sua morte e ressurreição se celebravam com um ágape ritual com pão e vinho que simbolizavam sua carne.

A conversão do pão e do vinho em carne e sangue do deus era um ritual tão popular que Cícero, cético, chegou a protestar em De natura deorum e a perguntar se alguém podia estar tão louco para acreditar que o que ingeria era a carne e o sangue de um deus.

O culto a Osiris se ampliou e se aperfeiçoou durante o período helenístico, no qual o Egito esteve governado pelos gregos, para configurar uma nova divindade cuja morte e ressurreição assegurava vida eterna a seus fiéis. Unindo todas estas facetas, Ptolomeu I proclamou a religião de Serapis no Egito como religião oficial imposta, não espontânea como a de Isis ou Adonis, mas mantendo a tolerância em relação a outros deuses e outras religiões. Serapis era a união de Osiris e Apis, dois deuses egípcios que naquela época já incorporavam os aspectos do deus grego Dionisos, pelo que se proclamou Redentor filho da Trindade egípcia.

Serapis nasceu de mãe virgem no solstício de inverno, morrendo no equinócio da primavera para ressuscitar no terceiro dia. Não escapou de ameaças de morte, o que obrigou sua mãe, a virgem Isis, a fugir com o filho, montada em um asno. Isso sem falar da imagem de Orfeos Bakkikos, a primeira que se conhece de um deus crucificado, utilizada nos mistérios órficos e dionisíacos celebrados no Mediterrâneo... desde o século VI antes da era cristã.

Conhecemos essa história, não? É a do cara aquele que nasceu num 25 de dezembro de mãe virgem, foi anunciado por anjos, curou enfermos e leprosos, fez andar os paralíticos, devolveu a visão aos cegos, transformou água em vinho e ressuscitou mortos. Sua doutrina falava de bondade, de ajudar e amar-se mutuamente e de socorrer os frágeis e inválidos. Ensinou que é preciso amar aos demais como a si mesmo, que é melhor devolver bem por mal e que a melhor forma de viver é praticar a caridade e todas as virtudes. Desafiou os sacerdotes de sua época, foi crucificado, morto e sepultado e ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

Se alguém ainda acha que isto não é ficção de hábeis sacerdotes, que se vai fazer?

fonte : http://cristaldo.blogspot.com/

SE ESTES NÃO RESOLVEREM...






RELIGIÃO E ESTUPIDEZ NO BRASIL


Sílvio Santos perguntou para uma garota o signo dela. Prontamente, ela respondeu “sou evangélica”. Sílvio riu gostoso! Eu não ri! Eu senti ali que o Brasil vai por um caminho perigoso.

Sim, acreditar em horóscopo é “paganismo” para os evangélicos. Eles não podem fazer como todos os outros brasileiros que, enfim, lêem horóscopo, sabem seus signos e se divertem com a crença em algo que é como acreditar em premonição de uma avó ou tia. Acredita-se sem levar a sério, ou leva-se a sério sem acreditar.

Ter crenças mágicas é algo de quase todos nós, por mais escolarizados que possamos ser. Faz parte de nossa cultura. É mais ou menos como acreditar em Papai Noel quando se está saindo da fase propriamente infantil: acredita-se e desacredita-se ao mesmo tempo. Acreditar em alguma coisa que, conforme ficamos mais velhos e mais escolarizados, foge do bom senso, se traz algum conforto psicológico, não é difícil de ocorrer. É como acreditar em “trabalho” para “trazer o amor de volta”. No desespero de causa, é um alívio psicológico imenso poder lançar mão de um conforto psicológico não racional. Há dezenas de confortos psicológicos desse tipo. Mas o  horóscopo nem é mais isso, é uma brincadeira mesmo.

Uns tem conforto psicológico com magias e outros com religiões. Há os totalmente laicos, que podem conseguir isso com a poesia. Cada um tem seu bálsamo para a alma, pois sem isso acabamos tendo de encontrar paliativos em drogas injetáveis ou tomadas por via oral. Nós humanos nos tornamos mais sensíveis que nossos parentes ditos brutos, e criamos uma vida chamada de civilizada que, enfim, não suportamos. Temos que crer em mágicas ou alguma coisa que se aproxime delas, em diversos graus, para enfrentarmos uma sociedade que, na verdade, como disse Weber, é “desencantada” e não permite no seu funcionamento  estrutural nenhuma mágica.

Eu posso entender as pessoas que levam a vida fazendo simpatias contra verrugas, vendo Saci Pererê no quintal ou rezando para Santo Antonio lhes conseguir um marido.  Entendo e respeito. Não tenho problemas em viver no meu país. Sou filósofo, mas tenho lá meus estudos de antropologia! Todavia …
A menina evangélica, ao responder para o Sílvio Santos, trouxe-me uma informação drástica. Ela mostrou que a sua religião não está em disputa com outros cristianismos e, sim, em disputa contra as religiões pagãs, as religiões mágicas.  Pois, ao tomar a Bíblia ao pé da letra, os evangélicos acabaram se colocando no âmbito daquilo que a religião cristã, já no seu nascedouro, quis evitar, a saber, sua classificação como religião que estaria no mesmo nível das religiões pagãs.

A religião cristã católica (e algumas igrejas protestantes a seguiram nisso) criou a teologia e, para ajudá-la, manteve viva a filosofia. A teologia tinha uma idéia básica: Deus está em um outro mundo, não nesse mundo. Ele não pode ser conhecido, mas podemos ter contato com ele pela fé. Mas Deus poderia ser admitido (que não é o que é conhecido e nem o que é dado pelo contato da fé), também, por mecanismos não empíricos. Por isso mesmo, todas as “provas” da existência de Deus, feita pelos santos católicos que foram grandes filósofos – Santo Anselmo, Santo Agostinho e Santo Tomás –, nunca foram provas como as da ciência moderna, é claro. Foram demonstrações lógico-linguísticas ou então raciocínios linguísticos. Isso garantiu à religião católica sua sobrevivência diante dos intelectuais. Assim agiram, também, os protestantes cultos. É claro que tanto entre os protestantes cultos quanto nos pontos mais altos da hierarquia católica a ordem sempre foi a de fazer uma certa vista grossa para com o modo da população não letrada entender a religião. Caso a população precisasse de mágica, não custava aqui e ali permitir algum milagre. Mas isso nunca se tranformou em ortodoxia.

Agora, as igrejas evangélicas, especialmente no Brasil, romperam com isso. Como elas fazem mágica, competem com as religiões que não estão mais em concorrência, o paganismo! Não se trata do paganismo afro, que disputa terreno com eles, mas valendo-se de outros mecanismos, mas o paganismo do passado, coisas que ninguém mais toma como religião. Daí a incapacidade da garota de entender a pergunta do Sílvio Santos. Ela foi ensinada a dizer que não acredita em horóscopo porque é evangélica. Uma pessoa não evangélica, desatenta, diria: “essa menina é boba?” Essa seria uma observação válida!
Bem, mas qual o resultado disso tudo, para nós, os que estamos de fora desse meio religioso? Devemos dar de ombros e ficarmos quietos, respeitando nossa postura liberal-democrática que afirma e defende a liberdade de religião no Brasil? Ou temos algo com que nos importar?

Não estou dizendo que temos de romper com nossa crença liberal e começar a criar dificuldades para os evangélicos, ainda que eles não se cansem de criar dificuldades para os brasileiros que não são evangélicos (os gays que o digam!). Longe de mim isso. Mas temos de pensar em algo que já passou da hora de pensarmos. A questão é a seguinte: uma das virtudes mais importantes de nosso aparato de cognição individual é a capacidade de interpretar. Ler e interpretar é algo ensinado na escola. É cobrado. É uma habilidade altamente valorizada em todos os exames internacionais pois, afinal, é algo extramemente útil na vida moderna. Mas, e se as pessoas são educadas a não mais interpretar? E se as pessoas, já em tenra idade, começam a ser incentivadas para eliminarem qualquer metáfora, qualquer figura de linguagem, como irão se portar no mundo? Poderão elas cantarem, escrever poesias, admirar um quadro, entender uma bula de remédio? É difícil. Pois é isso que a educação evangélica faz: ela desestimula a interpretação. Não é que ela diz que só a Bíblia deve ser lida literalmente. Ao ensinar a menina evangélica a não entender que pode acreditar no horóscopo em um nível que não é a da sua crença religiosa e que, portanto, não há problema em dizer seu signo e sua religião, as igrejas evangélicas estão indo longe demais. Estão simplesmente emburrecendo os jovens. Estão indo para além de afirmarem que há só uma leitura da Bíblia. Estão começando a sugerir que há só uma leitura correta a respeito de todo e qualquer texto, de todo e qualquer acontecimento. Isso é perigoso. Caso isso não seja revertido, podemos ter, dentro de poucos anos, uma geração inteira incapaz de executar tarefas simples, pois terão perdido a simples capacidade de entender o que se lê. Haverá uma quantidade de analfabetos funcionais maior do que o país pode suportar.

Assim, não à toa, já hoje, pegamos alunos que não conseguem mais ler textos, mesmo tendo sido alfabetizados. Pois ler é, sempre, uma interpretação. Isso não quer dizer que não exista a leitura errada e a leitura certa. É claro que há. Pois o certo e o errado dependem dos objetivos que colocamos aprioristicamente para podermos avaliar os alunos ou avaliar qualquer pessoa que conta uma história. Agora, quando não se está avaliando, quando se está incentivando o aluno no aprendizado, em que ele precisa necessariamente de interpretar, pois se ele tomar qualquer palavra no seu sentido literal não irá entender nada, então, nessa hora, as igrejas evangélicas atrapalham. O que elas fazem com os jovens é triturar seus neurônios. Nesse caso, a liberdade religiosa que permite às igrejas pregar o que querem, começa a dar frutos ruins. Pois a pregação não está mais no âmbito do conteúdo dos assuntos, e sim no campo do estrago às funções cognitivas da juventude.

Quando uma garota não consegue mais entender que ela pode ler o horóscopo e acreditar nas tendências que diz o seu signo, e que isso é uma informação em um nível do âmbito do folclórico ou do divertido,  que não se trata de algo que concorre contra o cristianismo (ou, ao menos, não deveria ser), essa garota já não é mais uma moça desinformada historicamente, ela é uma pessoa que emburreceu de vez. Ela perdeu a capacidade básica para a leitura, que é saber que a leitura possui níveis. Ou seja, um texto não tem várias interpretações porque podemos dizer “cada cabeça uma sentença”. Se fosse assim, teríamos apenas um relativismo banal. Um texto tem várias interpretações porque um mesmo leitor pode criar várias visões do que está dito, e hierarquizar os níveis dessas visões de modo a poder usá-las nos seus discursos cotidianos segundo ocasiões e contextos.

Um ateu inteligente pode dizer “Vá com Deus” para o filho que vai à escola. Um religioso inteligente pode dizer para um colega que o está perturbando “ah, o diabo que te carregue”. Do mesmo modo que um protestante fervoroso, não burro, pode dizer, junto de uma tia católica, até de modo sério: “que sejamos abençoados pela Virgem Maria”. Esse “jogo de cintura” ajuda as pessoas a lerem uma história do Chapeuzinho Vermelho como um conto infantil ou como um conto que poderia, ao mesmo tempo, nos brinda com uma versão “psicanalítica”, onde a história seria, na verdade, a história de um homem pedófilo ou tarado, um amante da velha, que na ausência dela gostaria de fazer sexo também com a neta. O caçador bem poderia ser o corno da história, marido da velha. Ler isso assim, até de forma jocosa, não impediria ler de outra maneira. São sofisticações que vamos acumulando nas nossas formas de colocar camadas e camadas de interpretação sobre as leituras de nossos textos preferidos. Mas o estudante evangélico vem castrado já de casa. Ele só pode ler uma vez, e de forma literal. Ora, como a forma literal é um exercício de descrição, mas a própria descrição já é feita com a interpretação do pastor desescolarizado (ou pessimamente escolarizado, ou cheio de preconceitos) na igreja, então, quando o jovem chega na escola e é exigido dele uma atitude mais inteligente, ele tropeça.

Ora, se o tropeço desse jovem é individual, tudo bem. Mas se o tropeço desse jovem é coletivo e, pior ainda, se vários deles começam a achar que o professor ou a sociedade culta estão contra eles, aí é hora do estado intervir. É hora do estado pensar em convocar a sociedade para discutir o que está havendo. Pois a nação começa a correr perigo. Em poucos anos, ninguém mais poderá ser cidadão. Pois para ser cidadão é necessário o entendimento das leis. Com esse tipo de jovem, atrofiado mentalmente por causa de uma estranha fórmula de leitura que não é leitura alguma, o país todo pode estar assinando um cheque em branco para um destino perigoso.

Se olharmos o quanto ninguém mais passa nos exames da OAB, isso que acabei de dizer é mais preocupante ainda. É hora dessas questões todas serem colocadas publicamente entre as elites. É hora de encontrarmos religiosos inteligentes (eles ainda existem?) que tenham possibilidade de ajudar-nos a senão reverter isso, ao menos estancar essa forma de deseducação das muitas das igrejas evangélicas.  A Bíblia é sagrada? Pode ser, mas ela não foi feita para ser sacralizada pela burrice. Ela deveria ser uma fonte de histórias morais capazes de fazer cada um promover interpretações e interpretações, sem o aval de pastores que se dizem iluminados. Os pastores e as igrejas não podem ficar com o monopólio dos cérebros dos jovens. Isso pode tornar o Brasil um país inviável.  Um povo que não interpreta é um povo imbecilizado. A cidadania depende de gente que interpreta e reinterpreta. Só é cidadão aquele que lê a lei e pode dizer o quanto ela é precisa e o quanto ela é vaga. Estão tirando dos nossos jovens essa capacidade. Estão lhes roubando a cidadania. Isso é bem pior que o Golpe de 64.

© 2011 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ